segunda-feira, outubro 23, 2006

Perguntas, perguntas...

São 9 da manhã. O Paulo e a Constança preparam-se para sair de casa.

- Até logo – diz ela – a que horas vens hoje?
- Até logo - responde ele – Ah, é verdade, hoje não venho jantar.
- Não? Porquê?
- Afinal a despedida de solteiro do Nuno é em Madrid. Vamos hoje à tarde e voltamos amanhã.
- E é assim? Vais para Madrid e avisas dessa maneira?
- E como é que queres que eu avise?
- Se eu não tivesse perguntado, se calhar nem dizias nada e aparecias aqui amanhã...era como estavas a pensar fazer?
- Estás parva? Claro que não, eu ia avisar.
- Ias mesmo? Quando, logo à noite, quando eu reparasse que não tinhas voltado para casa?
- Mas desculpa lá, qual é o teu problema, posso saber? Agora não posso ir a uma despedida de solteiro?
- Podes, mas também podes fazer as coisas de outra maneira. Qual é a necessidade de irem para Madrid? Não podem jantar em Lisboa, como as pessoas normais?
- Tu tens cá uma lata. E nem sabes tu a sorte que tens. O Francisco queria ir para Praga, vê lá.
- Uau! Que sorte a minha! Como o Francisco é um esfomeado e quer ir às putas a Praga, eu tenho que me considerar uma sortuda por o meu marido ser muito decente e só querer ir às putas de Madrid. Desculpa lá a injustiça.
- Qual ir às putas qual quê! Passaste-te? Vamos só sair à noite, é preciso fazer um bicho de sete cabeças? E eu bem tentei convencê-los a ficar cá, não me apetece nada ir.
- Estás a querer convencer-me de que vão não sei quantos galfarros esfomeados para Madrid a uma despedida de solteiro, e não te apetece ir? E que não vão nem a um bar de strip-tease? Então vão onde, visitar a Catedral de Almudena?
-E se formos, qual é o mal? É só para curtir!
- Ah, é só para curtir, não tem mal nenhum...Para já, se não estivesses com peso na consciência já me tinhas avisado antes, ou também vais dizer que combinaram há bocado, tipo durante a noite?
- Por acaso só acertámos ontem ao fim do dia, mas esqueci-me de te dizer, bolas. Agora tenho que dizer tudo?
- Não, não tens. Se achas que é dar explicações demais, então ficamos assim. A partir de agora cada um faz o que lhe apetece, quando lhe dá na gana, e não tem de dizer nada ao outro. E vamos ver onde é que isto vai parar.
- Mas que exagero é esse agora?
- Exagero? Só estou a proceder da mesma forma que tu. Vou telefonar à Maria, para saber como é com a despedida de solteira dela. Se calhar vou propôr uma ida a um bar de strip- tease masculino. Nunca fui a nenhum, sempre tenho achado que não são sitios para uma mulher casada frequentar, mas como o meu marido discorda...
- Agora vingas-te, é? Que infantil!
- Eu? Vingo-me de quê? É normalísimo. 20 mulheres juntam-se para ir a uma despedida de solteira, por isso têm que ir a um sitio onde haja homens disponíveis para abandalhar. É assim que deve ser e não tem mal nenhum. Se calhar até vamos a Sevilha, deve ser mais animado e ninguém nos conhece.
- E que mal é que tem encontrarem pessoas conhecidas?
- Explica-me tu porque é que têm que ir para Madrid. Tencionam fazer lá alguma coisa que em Lisboa não possam fazer?
- Já te disse que vamos só sair!
- Nós também.
- É diferente. E é perigoso. Já viram o risco que correm?
- Diferente? Risco? Nah!
- Risco sim. Um monte de raparigas sozinhas por aí é um chamariz. Porque é que não se juntam cá em casa para jantar? Bem mais divertido e económico.
- (gargalhada) Olha, passou-se! Cá em casa? E que graça tem isso?
- Mas o objectivo não é passarem um bocado todas juntas?
- Sim, sim, claro. E vestimos pijaminhas e pantufas enquanto esperamos pacientes e bem comportadas que os nossos homens machões regressem ao lar. Espera aí!
- Só estou a zelar pelo teu bem estar, mais nada...
- Deixa lá, nós arranjamos uns grandalhões para nos protegerem, não te preocupes. Desculpa lá, é impressão minha ou estás a ver se me convences a não ir?
- Eu? Não, estás doida? Tu fazes o que quiseres. Queres ir para Sevilha, para a China ou para o raio que te parta, então vai.
- Pois vou.
- Então vai.
- Já disse que vou.
- Eu depois telefono.
- Deixa estar, não é preciso.
- Então não telefono.
- Não telefones.
- Até logo.
- Adeuzinho e boa viagem.

(São ou não são todos iguais?)

sexta-feira, outubro 20, 2006

Estados de espírito

Ele:
- Mãe, como é que os motores andam?
Mãe, sorridente:
- Não sei filho, isso é daquelas coisas que se calhar é melhor perguntares ao Pai...
Ele:
- Então como é que as luzes se acendem?
Mãe, hesitante:
- Não sei, essa é outra das coisas que o Pai é que deve saber...
Ele:
- Não sabes NADA?
Mãe, ligeiramente irritada:
- Sei, sei muitas coisas, até, mas não sei de motores nem de electricidade.
Ele:
- E sabes de olhos?
Mãe, com ponta de esperança:
- De olhos sou capaz de saber alguma coisa...
Ele:
- Então como é que os olhos vêem a vista?

(Arrrgggghhhhh!!!!)

quinta-feira, outubro 19, 2006

As crianças são um espectáculo.

Estavam os cinco sentados à mesa de um restaurante no Algarve (este detalhe tem a sua importância).
Ele tem 5 anos.

Ele:
- Ó mãe, como é que se chama aquele bicho onde a mana andava no Algarve?
A mãe a pensar depressa, que bicho? Que Algarve? Ah! Será que ele quer dizer Marrocos?
E tenta.
- Marrocos, filho?
Ele, com um gesto displicente da mãozinha ainda gorducha:
- Isso, Marrocos. Como é que se chamava o bicho onde a mana andava?
- Camelo.
Ele, satisfeito:
- Isso mesmo. Quero aquela sobremesa que é de camelo.
- Baba de camelo? Muito bem, come tudo depressa e com boas maneiras e à sobremesa podes pedir o que quiseres.

E assim foi. Comeu depressa, sem porcarias, com maneiras de gente e tudo. Assim que acabou, ainda nem tinha pousado os talheres, atirou:
- Já posso pedir a bosta de camelo?

Pela cara da mãe deve ter percebido que tinha dito qualquer coisa mal, então, hesitante, de sorriso amarelado corrigiu:
- Não é bosta...
E triunfante:
- É gosma. Gosma de camelo. Já posso pedir?