São 9 da manhã. O Paulo e a Constança preparam-se para sair de casa.
- Até logo – diz ela – a que horas vens hoje?
- Até logo - responde ele – Ah, é verdade, hoje não venho jantar.
- Não? Porquê?
- Afinal a despedida de solteiro do Nuno é em Madrid. Vamos hoje à tarde e voltamos amanhã.
- E é assim? Vais para Madrid e avisas dessa maneira?
- E como é que queres que eu avise?
- Se eu não tivesse perguntado, se calhar nem dizias nada e aparecias aqui amanhã...era como estavas a pensar fazer?
- Estás parva? Claro que não, eu ia avisar.
- Ias mesmo? Quando, logo à noite, quando eu reparasse que não tinhas voltado para casa?
- Mas desculpa lá, qual é o teu problema, posso saber? Agora não posso ir a uma despedida de solteiro?
- Podes, mas também podes fazer as coisas de outra maneira. Qual é a necessidade de irem para Madrid? Não podem jantar em Lisboa, como as pessoas normais?
- Tu tens cá uma lata. E nem sabes tu a sorte que tens. O Francisco queria ir para Praga, vê lá.
- Uau! Que sorte a minha! Como o Francisco é um esfomeado e quer ir às putas a Praga, eu tenho que me considerar uma sortuda por o meu marido ser muito decente e só querer ir às putas de Madrid. Desculpa lá a injustiça.
- Qual ir às putas qual quê! Passaste-te? Vamos só sair à noite, é preciso fazer um bicho de sete cabeças? E eu bem tentei convencê-los a ficar cá, não me apetece nada ir.
- Estás a querer convencer-me de que vão não sei quantos galfarros esfomeados para Madrid a uma despedida de solteiro, e não te apetece ir? E que não vão nem a um bar de strip-tease? Então vão onde, visitar a Catedral de Almudena?
-E se formos, qual é o mal? É só para curtir!
- Ah, é só para curtir, não tem mal nenhum...Para já, se não estivesses com peso na consciência já me tinhas avisado antes, ou também vais dizer que combinaram há bocado, tipo durante a noite?
- Por acaso só acertámos ontem ao fim do dia, mas esqueci-me de te dizer, bolas. Agora tenho que dizer tudo?
- Não, não tens. Se achas que é dar explicações demais, então ficamos assim. A partir de agora cada um faz o que lhe apetece, quando lhe dá na gana, e não tem de dizer nada ao outro. E vamos ver onde é que isto vai parar.
- Mas que exagero é esse agora?
- Exagero? Só estou a proceder da mesma forma que tu. Vou telefonar à Maria, para saber como é com a despedida de solteira dela. Se calhar vou propôr uma ida a um bar de strip- tease masculino. Nunca fui a nenhum, sempre tenho achado que não são sitios para uma mulher casada frequentar, mas como o meu marido discorda...
- Agora vingas-te, é? Que infantil!
- Eu? Vingo-me de quê? É normalísimo. 20 mulheres juntam-se para ir a uma despedida de solteira, por isso têm que ir a um sitio onde haja homens disponíveis para abandalhar. É assim que deve ser e não tem mal nenhum. Se calhar até vamos a Sevilha, deve ser mais animado e ninguém nos conhece.
- E que mal é que tem encontrarem pessoas conhecidas?
- Explica-me tu porque é que têm que ir para Madrid. Tencionam fazer lá alguma coisa que em Lisboa não possam fazer?
- Já te disse que vamos só sair!
- Nós também.
- É diferente. E é perigoso. Já viram o risco que correm?
- Diferente? Risco? Nah!
- Risco sim. Um monte de raparigas sozinhas por aí é um chamariz. Porque é que não se juntam cá em casa para jantar? Bem mais divertido e económico.
- (gargalhada) Olha, passou-se! Cá em casa? E que graça tem isso?
- Mas o objectivo não é passarem um bocado todas juntas?
- Sim, sim, claro. E vestimos pijaminhas e pantufas enquanto esperamos pacientes e bem comportadas que os nossos homens machões regressem ao lar. Espera aí!
- Só estou a zelar pelo teu bem estar, mais nada...
- Deixa lá, nós arranjamos uns grandalhões para nos protegerem, não te preocupes. Desculpa lá, é impressão minha ou estás a ver se me convences a não ir?
- Eu? Não, estás doida? Tu fazes o que quiseres. Queres ir para Sevilha, para a China ou para o raio que te parta, então vai.
- Pois vou.
- Então vai.
- Já disse que vou.
- Eu depois telefono.
- Deixa estar, não é preciso.
- Então não telefono.
- Não telefones.
- Até logo.
- Adeuzinho e boa viagem.
(São ou não são todos iguais?)
Para mulheres chatas, para mulheres que acham que são chatas, para mulheres que acham que os homens as acham umas chatas, para homens chatos, para homens que acham as mulheres umas chatas, para mulheres que acham os homens uns chatos porque as acham umas chatas... Para toda a gente, portanto.
segunda-feira, outubro 23, 2006
sexta-feira, outubro 20, 2006
Estados de espírito
Ele:
- Mãe, como é que os motores andam?
Mãe, sorridente:
- Não sei filho, isso é daquelas coisas que se calhar é melhor perguntares ao Pai...
Ele:
- Então como é que as luzes se acendem?
Mãe, hesitante:
- Não sei, essa é outra das coisas que o Pai é que deve saber...
Ele:
- Não sabes NADA?
Mãe, ligeiramente irritada:
- Sei, sei muitas coisas, até, mas não sei de motores nem de electricidade.
Ele:
- E sabes de olhos?
Mãe, com ponta de esperança:
- De olhos sou capaz de saber alguma coisa...
Ele:
- Então como é que os olhos vêem a vista?
(Arrrgggghhhhh!!!!)
- Mãe, como é que os motores andam?
Mãe, sorridente:
- Não sei filho, isso é daquelas coisas que se calhar é melhor perguntares ao Pai...
Ele:
- Então como é que as luzes se acendem?
Mãe, hesitante:
- Não sei, essa é outra das coisas que o Pai é que deve saber...
Ele:
- Não sabes NADA?
Mãe, ligeiramente irritada:
- Sei, sei muitas coisas, até, mas não sei de motores nem de electricidade.
Ele:
- E sabes de olhos?
Mãe, com ponta de esperança:
- De olhos sou capaz de saber alguma coisa...
Ele:
- Então como é que os olhos vêem a vista?
(Arrrgggghhhhh!!!!)
quinta-feira, outubro 19, 2006
As crianças são um espectáculo.
Estavam os cinco sentados à mesa de um restaurante no Algarve (este detalhe tem a sua importância).
Ele tem 5 anos.
Ele:
- Ó mãe, como é que se chama aquele bicho onde a mana andava no Algarve?
A mãe a pensar depressa, que bicho? Que Algarve? Ah! Será que ele quer dizer Marrocos?
E tenta.
- Marrocos, filho?
Ele, com um gesto displicente da mãozinha ainda gorducha:
- Isso, Marrocos. Como é que se chamava o bicho onde a mana andava?
- Camelo.
Ele, satisfeito:
- Isso mesmo. Quero aquela sobremesa que é de camelo.
- Baba de camelo? Muito bem, come tudo depressa e com boas maneiras e à sobremesa podes pedir o que quiseres.
E assim foi. Comeu depressa, sem porcarias, com maneiras de gente e tudo. Assim que acabou, ainda nem tinha pousado os talheres, atirou:
- Já posso pedir a bosta de camelo?
Pela cara da mãe deve ter percebido que tinha dito qualquer coisa mal, então, hesitante, de sorriso amarelado corrigiu:
- Não é bosta...
E triunfante:
- É gosma. Gosma de camelo. Já posso pedir?
Ele tem 5 anos.
Ele:
- Ó mãe, como é que se chama aquele bicho onde a mana andava no Algarve?
A mãe a pensar depressa, que bicho? Que Algarve? Ah! Será que ele quer dizer Marrocos?
E tenta.
- Marrocos, filho?
Ele, com um gesto displicente da mãozinha ainda gorducha:
- Isso, Marrocos. Como é que se chamava o bicho onde a mana andava?
- Camelo.
Ele, satisfeito:
- Isso mesmo. Quero aquela sobremesa que é de camelo.
- Baba de camelo? Muito bem, come tudo depressa e com boas maneiras e à sobremesa podes pedir o que quiseres.
E assim foi. Comeu depressa, sem porcarias, com maneiras de gente e tudo. Assim que acabou, ainda nem tinha pousado os talheres, atirou:
- Já posso pedir a bosta de camelo?
Pela cara da mãe deve ter percebido que tinha dito qualquer coisa mal, então, hesitante, de sorriso amarelado corrigiu:
- Não é bosta...
E triunfante:
- É gosma. Gosma de camelo. Já posso pedir?
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