quinta-feira, setembro 29, 2011

Nome científico: Homo Selvagem

Reino: Animalia
Classe: Mammalia
Género: Homo Sapiens Sapiens
Família: Hominidae
Espécie: Primata bípede
Sub espécie: Homo Sapiens Sapiens Selvagem - Macho
Distribuição
Esta espécie tem ampla distribuição geográfica, sendo nativa da Europa, Ásia e Norte de África. Mais recentemente foi introduzida nas Américas e na Oceania. Hoje, já só pode ser encontrada em liberdade nos rios e pântanos do continente africano, principalmente nas zonas mais húmidas e meridionais. Vive em grupos, que podem atingir os milhares de indivíduos.

Características Fisicas:
O corpo do Homo Selvagem é robusto, com pernas relativamente curtas. Apesar do cérebro diminuto, tem uma cabeça grande e arredondada, sem cabelo no topo, com olhos pequenos e juntos. Um Homo Selvagem adulto pode medir em média entre 1,50m e 1,70m. O seu peso médio pode variar entre os 80 e os 120 kg, mas poderá ir até aos 250K, dependendo da dieta. A grande barriga característica do Homo Selvagem adulto é constituída por vários pneus unidos entre si por pele coberta de pelos escuros, encaracolados e espessos. Na Europa os exemplares do norte tendem a ser mais pesados que os do sul. As orelhas e o nariz são providos de enormes pelos que se projetam para fora e crescem continuamente. O macho dominante ostenta geralmente uma tira espessa de pelos sobre o lábio superior, chamada bigode.

Hábitos alimentares
O Homo Selvagem passa grande parte do dia em busca de comida que consome em grandes quantidades. É um animal omnívoro, com preferência por matéria animal como carne de vaca ou de porco. No entanto também consome outros alimentos como feijão, batata, pão, tremoços e caracóis. A sua dieta inclui igualmente grandes quantidades de cerveja e vinho tinto, assim como bagaceiras e aguardentes. O consumo exagerado destes líquidos tem no Homo Selvagem um efeito denominado bebedeira, que origina comportamentos agressivos e faz com que passe muitas noites a dormir no sofá ou na prisão.

Comportamento
O Homo Selvagem é de comportamento pouco sociável e bastante territorialista. Reúne-se em grupos patriarcais, normalmente com três a cinco elementos, formados pelas fêmeas e crias, embora possam ser encontrados grupos superiores a vinte indivíduos. A fêmea fica sempre um pouco afastada do grupo e é ela que se encarrega da sobrevivência dos restantes elementos. Os jovens machos, chamados chungas, vivem na periferia do grupo.
O grunhido do Homo Selvagem chama-se arroto.

Quotidiano
O Homo Selvagem prefere zonas rurais ou urbanas desde que com baixa densidade populacional, para que possa facilmente controlar o quotidiano dos vários elementos do grupo. É geralmente sedentário e descansa grande parte do dia. Aparentemente tranquilo quando se encontra dentro de casa, onde se sente em total segurança, pode transformar-se numa verdadeira besta quando sai dela. Tudo o que encontrar pelo caminho será arrasado por impropérios e, por vezes, gestos obscenos. De noite gosta de recolher cedo para passar horas defronte do televisor, sozinho ou com outros machos desde que rodeado do mais completo silêncio, a ver todos os jogos de futebol, que analisa com alma de treinador e contra os quais berra e pragueja. Durante este tempo segura firmemente o comando da tv na mão direita e com a esquerda ocupa-se de um dos hábitos que caracterizam melhor o Homo Selvagem e que nenhum cientista conseguiu ainda compreender: a chamada cossação da genitália, hábito que enfurece especialmente as fêmeas e que podem inclusivamente levá-las a proferir algum ruído no decorrer das transmissões do jogo. Neste caso o macho geralmente torna-se agressivo e pode mesmo chegar a dar-lhe um par de chapadas.
Quando defeca, o macho lê revistas ou jornais sobre futebol. Este hábito faz com que o ato se prolongue por largos minutos, libertando-o assim da inteação com os restantes elementos do grupo. Por outro lado, ele aprecia extraordinariamente o ruído característico dos gases que liberta, ao ponto de soltar sonoras gargalhadas de cada vez que o escuta, mesmo quando se encontra sozinho.
Como não tem predadores naturais, o único perigo para o Homo Selvagem advém da sua própria espécie. São muito frequentes as quezílias entre estes animais, que podem mesmo culminar na morte de um deles.

Reprodução
Na Europa o tempo de reprodução vai de Janeiro a Janeiro, quando os machos adultos solitários procuram fêmeas recetivas. O ritual da busca chama-se “engate” e é bastante complexo e primitivo. Ao encontrar uma fêmea que lhe agrade, o macho Homo Selvagem persegue-a, lança-lhe piropos vulgares e, por vezes, escarra-lhe para os pés. Quando o interesse é grande, aproxima-se e roça a sua genitália nos quadris da fêmea, gesto que, por vezes, irrita outros machos e dá origem a lutas ferozes, das quais quase sempre saem ambos feridos.
Em alguns casos o Homo Selvagem fica confuso e sente inclinação por praticar “engate” com outro Homo Selvagem. Nesta situação os restantes machos do grupo expulsam aqueles e dão-lhes o nome de “panasca” ou “paneleiro de merda”.

A gestação dura cerca de 280 dias, com os nascimentos a ocorrerem em qualquer altura do ano. As fêmeas têm entre uma e duas crias, que pertencem exclusivamente à mãe. Durante este período o Homo Selvagem altera ligeiramente os seus hábitos, tornando-se menos caseiro, um pouco mais sociável para com as outras fêmeas, aumentando o consumo de cerveja e o visionamento de filmes pornográficos.
O desmame das crias macho ocorre geralmente por volta dos 35-40 anos, mas por vezes não chega a ocorrer.
A maturidade sexual é alcançada cerca dos 30 anos, ainda que, nos dias de hoje, nem sempre aconteça. O tempo de vida médio do Homo Selvagem é de cerca de 75 anos em cativeiro.
O Homo Selvagem, a par com o javali, é o único animal mamífero que, devidamente estimulado, pode ejacular depois de morto.

quarta-feira, setembro 21, 2011

É por estas e outras que este país está na merda!

Há uns meses estavamos sem ninguém que nos arranjasse o jardim. Falaram-me de um jardineiro, contactei-o e pedi um orçamento para o deixar impecavel. Precisava pronto no fim de semana, por isso adjudiquei sem discutir. O senhor não cumpriu o prazo nem o resultado andou sequer perto do que lhe tinha sido pedido.

Precisei de um serralheiro para me arranjar umas janelas. Foi lá um, fez o orçamento, eu adjudiquei e ele nunca mais apareceu. Foi lá outro, nem sequer chegou a enviar orçamento.

Precisei de alguém para me arranjar a máquina da roupa. Dos três contactos que me deram, o único que me atendeu o telefone (os outros não atenderam nem devolveram a chamada) recusou ir de Carnaxide a Cascais fazer o trabalho. Note-se que eu nem lhe disse qual era a avaria.

Quis inscrever uma das minhas filhas na natação. Era obrigatório fazer uma aula experimental para aferir o nível. Liguei para marcar. Não podia, tinha de ser presencial. Perguntei porquê. Porque sim, foi a resposta. Expliquei que tenho três filhos, trabalho o dia todo, cada um deles pratica uma actividade e era complicado para mim ir lá de propósito só para marcar a aula, que então iria tentar outro sitio. Está bem, respondeu o senhor.

Numa conversa recente com uma rapariga nova, com licenciatura, salário, casa e homem unido de facto, ela disse-me em três minutos, três pedidos diferentes que tinha feito ao estado, e conseguido: subsidio de apoio à maternidade por ser mãe solteira, apoio na escola por ter baixos rendimentos e baixa médica para poder ir à praia. Tudo fraudulento. E só destas conheço mais dois casos. Tudo mentira.

Estes são apenas alguns dos exemplos que me ocorreram em cinco minutos.

A triste realidade é que são estas pessoas que passam os dias nas televisões a reclamar da falta de apoios do estado, do desemprego, das más condições de vida, da troika, dos políticos, da chuva e de tudo. São estes porque quem realmente precisa não anda na rua a reclamar, faz pela vida, tem outras preocupações. Trabalho não falta por aqui, por Lisboa, pelas cidades, pelas zonas urbanas. Pode não ser o mais glamouroso ou bem remunerado, pode não ter o melhor horário, pode envolver sacrificios, mas é mais digno que viver na pendura, além de ser a corda que pode puxar por uma melhoria de vida. Trabalho não falta, por aqui. Falta é quem o queira fazer.

No interior do país é que não há. Nas terras onde fecham fábricas todos os dias e, por muito que se procure, não há mesmo trabalho e a única solução é muitas vezes largar a família e sair do país sem nada a não ser um punhado de esperança em cada algibeira. Mas curiosamente também é nessas zonas que há maior empreendedorismo, que se arregaça as mangas e se vai à luta.

É muito fácil fazer birras e lamentar o que á nossa vida poderia ter sido mas não foi. Mas a verdade é que até os vigaristas, para serem bem sucedidos, trabalham que se fartam.

Se não fosse esta atitude de encosto, de exigência permanente e desresponsabilização total por parte de quem poderia ajudar a aliviar a carga, se calhar havia mais para quem realmente precisa. Havia tudo: trabalho, serviços, apoios, respeito... tudo.

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