Trintonas no redline...
Passava das 10 da noite quando cheguei ontem a casa... Tal como muitos outros idiotas, estive, imaginem só (...) a trabalhar...
Um saltinho rápido ao facebook, coisa rara por falta de tempo para social networking e, para meu espanto, leio um espantoso texto da minha querida irmã, cujos dotes de escritora bem conheço.
É realmente dotada, a mana, para a arte de bem escrever!
Tema das linhas? Apreço e cornos... Uma reflexão de qualidade inquestionável, certamente baseada em experiências terríficas com gajos desumanos, pais ausentes, maridos desleixados, enfim, aquela cambada de decadentes, que a única coisa que sabem fazer na vida, é, imaginem só (...), trabalhar!
É curioso... no meio de tanto e bom texto, não há um elogio, uma palavra de carinho, de simpatia... Por quem??? Bom, logicamente por nós, corja de bandidos que somos nós, os homens, seres familiarmente apáticos, has-beens galadores de mamas, eternos putos de carácter duvidoso, gordos egoístas e mal da tola, batoques entorpecidos a babar cerveja no sofá, infantiloides armados em reis da bola... Mas pasmem-se! Estes cabrões, bando de cínicos irresponsáveis, na opinião das suas queridas mulherezinhas, ainda arranjam tempo e energia, imaginem só (...), exacto! Para porem os cornos às suas mais que tudo! E, a razão para tal acto tresloucado é? Imaginem só (...) Falta de apreço...
Para mulheres chatas, para mulheres que acham que são chatas, para mulheres que acham que os homens as acham umas chatas, para homens chatos, para homens que acham as mulheres umas chatas, para mulheres que acham os homens uns chatos porque as acham umas chatas... Para toda a gente, portanto.
quinta-feira, julho 02, 2009
Leite Derramado - Chico Buarque
Não tem narrativa ordenada, não caracteriza as personagens, não tem momentos exuberantes, não identifica o espaço fisico nem temporal.
Muito muito bom!
Muito muito bom!
quarta-feira, julho 01, 2009
Curioso...
Ontem tive que fazer uma das coisas que mais detesto nesta vida: pôr gasolina. Nem sei bem porquê, irrita-me solenemente fazer isso. Uma das razões deve ser a sensação de estar a ser roubada que me assola de todas as vezes. Sou do tempo em que havia uns senhores para fazerem esse serviço, o que detinha várias vantagens: havia mais emprego e nós ficávamos calmamente dentro do carro a ouvir música ou a fumar um cigarrito. Bons tempos... Depois, retiraram-nos o privilégio e, para nos brindarem, ainda aumentaram o preço da gasolina. Passou a ser uma aproximação mais... como dizer... agressiva: se queres faz tu, pagas mais e é se queres andar de rabinho tremido!
Mas já estou a divergir. Ontem, dizia eu, fui pôr gasolina e ofereceram-me uma daquelas revistas femininas que só pela capa nos fazem sentir gordas, peludas, chatas e espantosamente frígidas. Enquanto mordiscava uma sandes passei os olhos pelos conteúdos dessa pérola editorial até que encontrei um artigo que me prendeu a atenção: "o que é que leva os homens a traír?"
Fiquei curiosa. Sempre pensei que os homens traíam pelas mesmas razões que as mulheres - porque lhes apetecia. Mas afinal parece que há motivos verdadeiros, cerebrais até, que levam os homens a fazer algumas coisas. E esta hein?
Fui então degustar o dito artigo.
E não é que descobri que o que os leva a traír não é a procura de uma mulher mais jovem, nem mais bonita, nem que pratique melhor sexo, o que leva os homens a traír é, espantem-se, a falta de apreço que as esposas lhes demonstram. Maravilha!
Portanto, estes grandecíssimos cabrões, para não lhes chamar outra coisa pior, casam connosco muito amorosos. Logo depois fazem-nos um par de filhos, que são a luz da nossa vida mas dão-nos cabo do corpinho, obrigam-nos a levantar os ossos da cama sete vezes por noite durante dois anos - em média, por cada filho - arruinando as nossas belas oito horas de sono obrigatórias, enquanto se espalham pelos sofás todos e engordam a olhos vistos. Enquanto isso, nós trabalhamos, levamos as crianças à creche, vamos ao supermercado, pediatra, dentista, ortopedista, oftalmologista e todos os istas que existirem, vamos à farmácia, falamos com as educadoras, tratamos das matrículas, fotografias, documentos e o raio que os parta. Eles coitados, têm de trabalhar. Nós cozinhamos, limpamos, mudamos fraldas, ajudamos nos TPC, gerimos birras, desinfectamos feridas, damos colo. Eles, coitados, têm de trabalhar. Nós fazemos malas, organizamos refeições, damos prémios, aplicamos castigos, marcamos férias, esperamos pelo canalizador, pela TV Cabo, pelo homem do frigorífico. Eles, coitados, já sabemos, não podem.
No meio disto tudo tentamos manter a raíz a menos de meio da cabeça, arranjar pés e mãos de vez em quando, depilar certas zonas com alguma frequência, equilibrar-nos em cima de tacões de 12 cm, dar um salto ao ginásio quando calha e manter-nos arranjadinhas em geral.
Enquanto isso eles trabalham. Uau! E dormem. E babam-se a beber cerveja, a ver a bola e a comparar as mamas das nossas amigas com o que resta das nossas.
E no fim disto tudo, como andam aborrecidos com a vida deles e sentem falta de apreço, afinfam-nos com um parzito de cornos, que é para deixarmos de ser parvas!
E estúpidas.
Mas já estou a divergir. Ontem, dizia eu, fui pôr gasolina e ofereceram-me uma daquelas revistas femininas que só pela capa nos fazem sentir gordas, peludas, chatas e espantosamente frígidas. Enquanto mordiscava uma sandes passei os olhos pelos conteúdos dessa pérola editorial até que encontrei um artigo que me prendeu a atenção: "o que é que leva os homens a traír?"
Fiquei curiosa. Sempre pensei que os homens traíam pelas mesmas razões que as mulheres - porque lhes apetecia. Mas afinal parece que há motivos verdadeiros, cerebrais até, que levam os homens a fazer algumas coisas. E esta hein?
Fui então degustar o dito artigo.
E não é que descobri que o que os leva a traír não é a procura de uma mulher mais jovem, nem mais bonita, nem que pratique melhor sexo, o que leva os homens a traír é, espantem-se, a falta de apreço que as esposas lhes demonstram. Maravilha!
Portanto, estes grandecíssimos cabrões, para não lhes chamar outra coisa pior, casam connosco muito amorosos. Logo depois fazem-nos um par de filhos, que são a luz da nossa vida mas dão-nos cabo do corpinho, obrigam-nos a levantar os ossos da cama sete vezes por noite durante dois anos - em média, por cada filho - arruinando as nossas belas oito horas de sono obrigatórias, enquanto se espalham pelos sofás todos e engordam a olhos vistos. Enquanto isso, nós trabalhamos, levamos as crianças à creche, vamos ao supermercado, pediatra, dentista, ortopedista, oftalmologista e todos os istas que existirem, vamos à farmácia, falamos com as educadoras, tratamos das matrículas, fotografias, documentos e o raio que os parta. Eles coitados, têm de trabalhar. Nós cozinhamos, limpamos, mudamos fraldas, ajudamos nos TPC, gerimos birras, desinfectamos feridas, damos colo. Eles, coitados, têm de trabalhar. Nós fazemos malas, organizamos refeições, damos prémios, aplicamos castigos, marcamos férias, esperamos pelo canalizador, pela TV Cabo, pelo homem do frigorífico. Eles, coitados, já sabemos, não podem.
No meio disto tudo tentamos manter a raíz a menos de meio da cabeça, arranjar pés e mãos de vez em quando, depilar certas zonas com alguma frequência, equilibrar-nos em cima de tacões de 12 cm, dar um salto ao ginásio quando calha e manter-nos arranjadinhas em geral.
Enquanto isso eles trabalham. Uau! E dormem. E babam-se a beber cerveja, a ver a bola e a comparar as mamas das nossas amigas com o que resta das nossas.
E no fim disto tudo, como andam aborrecidos com a vida deles e sentem falta de apreço, afinfam-nos com um parzito de cornos, que é para deixarmos de ser parvas!
E estúpidas.
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