quarta-feira, julho 01, 2009

Curioso...

Ontem tive que fazer uma das coisas que mais detesto nesta vida: pôr gasolina. Nem sei bem porquê, irrita-me solenemente fazer isso. Uma das razões deve ser a sensação de estar a ser roubada que me assola de todas as vezes. Sou do tempo em que havia uns senhores para fazerem esse serviço, o que detinha várias vantagens: havia mais emprego e nós ficávamos calmamente dentro do carro a ouvir música ou a fumar um cigarrito. Bons tempos... Depois, retiraram-nos o privilégio e, para nos brindarem, ainda aumentaram o preço da gasolina. Passou a ser uma aproximação mais... como dizer... agressiva: se queres faz tu, pagas mais e é se queres andar de rabinho tremido!

Mas já estou a divergir. Ontem, dizia eu, fui pôr gasolina e ofereceram-me uma daquelas revistas femininas que só pela capa nos fazem sentir gordas, peludas, chatas e espantosamente frígidas. Enquanto mordiscava uma sandes passei os olhos pelos conteúdos dessa pérola editorial até que encontrei um artigo que me prendeu a atenção: "o que é que leva os homens a traír?"
Fiquei curiosa. Sempre pensei que os homens traíam pelas mesmas razões que as mulheres - porque lhes apetecia. Mas afinal parece que há motivos verdadeiros, cerebrais até, que levam os homens a fazer algumas coisas. E esta hein?
Fui então degustar o dito artigo.
E não é que descobri que o que os leva a traír não é a procura de uma mulher mais jovem, nem mais bonita, nem que pratique melhor sexo, o que leva os homens a traír é, espantem-se, a falta de apreço que as esposas lhes demonstram. Maravilha!
Portanto, estes grandecíssimos cabrões, para não lhes chamar outra coisa pior, casam connosco muito amorosos. Logo depois fazem-nos um par de filhos, que são a luz da nossa vida mas dão-nos cabo do corpinho, obrigam-nos a levantar os ossos da cama sete vezes por noite durante dois anos - em média, por cada filho - arruinando as nossas belas oito horas de sono obrigatórias, enquanto se espalham pelos sofás todos e engordam a olhos vistos. Enquanto isso, nós trabalhamos, levamos as crianças à creche, vamos ao supermercado, pediatra, dentista, ortopedista, oftalmologista e todos os istas que existirem, vamos à farmácia, falamos com as educadoras, tratamos das matrículas, fotografias, documentos e o raio que os parta. Eles coitados, têm de trabalhar. Nós cozinhamos, limpamos, mudamos fraldas, ajudamos nos TPC, gerimos birras, desinfectamos feridas, damos colo. Eles, coitados, têm de trabalhar. Nós fazemos malas, organizamos refeições, damos prémios, aplicamos castigos, marcamos férias, esperamos pelo canalizador, pela TV Cabo, pelo homem do frigorífico. Eles, coitados, já sabemos, não podem.
No meio disto tudo tentamos manter a raíz a menos de meio da cabeça, arranjar pés e mãos de vez em quando, depilar certas zonas com alguma frequência, equilibrar-nos em cima de tacões de 12 cm, dar um salto ao ginásio quando calha e manter-nos arranjadinhas em geral.
Enquanto isso eles trabalham. Uau! E dormem. E babam-se a beber cerveja, a ver a bola e a comparar as mamas das nossas amigas com o que resta das nossas.
E no fim disto tudo, como andam aborrecidos com a vida deles e sentem falta de apreço, afinfam-nos com um parzito de cornos, que é para deixarmos de ser parvas!
E estúpidas.

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