Conheço um rapaz que num dia normal, há uns tempos, foi pôr gasolina. Quando arrancou da bomba reparou na rapariga da caixa que lhe fazia sinalefas e acenos profusos. Não sei se estava ao telemóvel, aquela excrescência que tem no ouvido, mas é provável que sim, por isso ignorou a senhora e partiu a toda a brida, também provavelmente por estar atrasado para qualquer compromisso do qual dependia, se não a sobrevivência da espécie humana, pelo menos a dele próprio. No arranque sentiu alguma resistência do carro. Acelerou. A resistência continuava, por isso acelerou mais. Mais resistência e mais uma patada no acelerador e assim sucessivamente até que conseguiu arrancar. Parou uns metros à frente quando a dita rapariga da caixa se atravessou no caminho dele para o ajudar a tirar os restos da mangueira que ainda permaneciam dentro do depósito.
Uma certa sexta-feira, a mulher deste rapaz chegou a casa depois de um dia de trabalho especialmente cansativo e tinha os filhos prontos para sair, de mala aviada para dormirem fora. Ele confessou-lhe que tinha preparado um programa surpresa, de jantar romântico seguido de namoro raro e merecido. Jantaram num sitio chique, namoraram muito e foram dormir. Às cinco da madrugada ele acorda-a e diz-lhe ao ouvido: faz uma mala com roupa quentinha. Vamos para o Algarve. Felizes meteram-se no carro, mais a dormir que acordados, e ela – loira - nem reparou que seguiam para Norte. Só quando chegaram ao aeroporto é que ela percebeu que não iam para o Algarve, mas teve de esperar pelo check in para descobrir que o destino afinal era Londres.
Esta semana a sobrinha mais velha fez anos. Como é tradição, nos aniversários há sempre um jantar em casa dessa irmã dele. Este não foi excepção. De manhã a esposa zelosa alertou-o para o facto. Ele respondeu que sim. A meio do dia falaram e ela tornou a lembrá-lo de que o jantar era em Oeiras, em casa da irmã dele. Tornou a responder que sim. Às 20H ele ligou à mulher, estavam os quatro (mãe galinha e três pintos) a caminho, na autoestrada. Quando a filha lhe disse onde estavam ele perguntou: na autoestrada porquê? Foram visitar a bivó?
Esse mesmo rapaz, planeta estranho que é, costuma passar férias no Algarve com a família. Geralmente é a mulher que trata dos preparativos para a viagem – malas, comidas, material de praia, etc.
Um destes verões, à chegada ao local das férias, ele foi fazer umas comprinhas e, ao regressar, a mulher verificou que ele, cheio de iniciativa, tinha decidido adquirir uma embalagem de protector solar para as crianças. Ela observou que não era necessário, que tinha levado duas embalagens das grandes e que seria melhor ele devolvê-lo antes de se perder o dinheiro. Ele concordou e depositou a dita embalagem em cima do televisor, local onde permaneceu durante uma semana inteira até a mulher lhe chamar a atenção outra vez. Logo ali ele decidiu que era esse o momento e zarpou para a mercearia.
Regressou alguns minutos depois com o seu ar mais natural e perguntou à mulher: quem é o maior anormal que conheces? Ao que ela respondeu com toda a lógica: imagino que sejas tu, mas porquê? E ele mostra-lhe, retirando de trás das costas, um saco de compras. E lá dentro o creme. O mesmo creme. Ela, incrédula, tentava perceber o nexo daquilo até que ele explicou: pois ele tinha entrado no supermercado, agarrado num cesto, colocado lá dentro o creme, um pão de forma e um saquinho de pêras. No fim pagou tudo na caixa e saiu.
E é por estas e por outras do género que a mulher o adora. :-)
Para mulheres chatas, para mulheres que acham que são chatas, para mulheres que acham que os homens as acham umas chatas, para homens chatos, para homens que acham as mulheres umas chatas, para mulheres que acham os homens uns chatos porque as acham umas chatas... Para toda a gente, portanto.
quinta-feira, março 18, 2010
segunda-feira, março 08, 2010
Dia da Mulher - A verdadeira história
Era uma vez uma família paleolítica feliz.
O homem saía feliz de manhã para a caça enquanto a feliz mulher tratava da gruta com esmero. Ambos tinham barba e nenhum usava saltos altos.
Os filhos também não davam trabalho – raramente sobreviviam ao parto, e quando isso acontecia e conseguiam chegar a uma idade em que já poderiam gozar de alguma autonomia sem terem sido comidos por uma leoa, tinham tempo livre. Não havia escolas, por isso não havia más notas, nem reuniões de pais, nem bullying, nem birras por causa dos Vans, da PSP, do portátil ou do MP3.
Não havia natação, karaté, Hip Hop, francês, futebol nem patinagem, donde as crianças tinham disponibilidade total para brincarem sossegadas com os crocodilos da vizinhança.
Um belo dia, o homem constipou-se e ficou de cama. A mulher, para poder alimentar os filhos nesse dia, decidiu sair e tentar a sorte na caça. Não se safou porque não tinha musculos tão desenvolvidos como ele, mas usou a cabeça voltou com um belo par de robalos que deram um excelente petisco. Como ele continuava de estaleiro, com o nariz a pingar e a gemer por causa dos 37,2 de febre, ela tratou da gruta e dos meninos com o esmero de sempre.
Ora o rapaz, que era esperto, decidiu que o peixinho era bom mas ele não se ajeitava nessa arte, então seria ela a tratar do assunto uma vez por semana.
A moça, que não devia muito à sagacidade, concordou sem pedir nada em troca. E uma vez na semana lá ia ela à pesca, tratava dos meninos e da gruta, enquanto ele descansava da caça sentado à sombra de um pré-histórico chaparro.
As ampulhetas foram enchendo com a areia dos tempos mas as cabeças das mulheres só começaram a encher de esperteza mais tarde.
Assim, elas descobriram a forma de terem uma vida boa e sem complicações: como já não se caçava, elas pensaram que seria uma boa ideia dividirem tarefas. Eles ganhariam moedas e elas tratariam de comprar os mantimentos. Mas, espertas, convenceram-nos de que tinham sido eles a ter a ideia. Assim, eles saíam todos contentes de manhã para se matarem a arranjar as ditas moedas e elas iam calmamente com as amigas às compras, ao chá, ter com o amante, passear com as crianças. E voltaram a ser todos felizes – eles achavam que mandavam em casa, elas mandavam mesmo neles.
Eis senão quando apareceu uma gaja que queria mesmo era ser homem, mas não sabia que podia mudar. Vai daí, armou-se em revolucionária, e saiu por aí toda nua, montada num cavalo, depois de ter queimado a roupa interior, só porque decidiu que queria poder trabalhar com homens, em coisas de homens.
É evidente que as pessoas normais não lhe ligaram pevide, mas ali perto passavam umas senhoras muito femininas, bem postas na vida mas pouco inteligentes que acharam amoroso poderem ser professoras ou floristas. Então começaram a lutar por uma vida fora de casa, mas sempre impecavelmente arranjadas, penteadas, depiladas (deve ter sido ideia da revolucionária que queria andar sem roupa interior para massacrar as gajas), de saltos altos e luvas pelo cotovelo.
Ao inicio eles acharam uma modernice, não queriam esses avanços e fizeram-lhes a vida negra. Mas aos poucos compreenderam as maravilhas destas inovações e andavam cada vez mais satisfeitos: com outro salário o peso da responsabilidade de ter uma família a cargo era cada vez menor e o tempo livre cada vez maior. Por outro lado elas, acostumadas desde a gruta a terem de tomar conta de tudo, continuaram a fazê-lo. E bem.
De tão habituadas que e estavam ao cansaço deles, nem notaram que andavam elas cada vez mais de rastos, até a situação se tornar insustentável. Finalmente reconheceram que precisavam de ajuda e foram falar com os homens.
Foi quando inventaram a empregada doméstica.
Mas nem toda a gente podia pagar uma empregada, por isso a maior parte das mulheres continuava a esfalfar-se a trabalhar fora de casa e depois, dentro. Enquanto isso, os homens faziam cada vez menos e abusavam cada vez mais da paciência delas. De tal maneira que, a dada altura descobriram o televisor e aprenderam uma nova actividade que podiam desenvolver sentados no sofá, mas na qual tinham de utilizar ambas as mãos, o que era excelente para parecerem ocupados. A actividade chamava-se “comandates” – uma mão no comando e a outra nos ... bolsos.
Um belo dia 08 de Março, Lorena, uma bela morena, chegou do serviço mais cansada que o normal. Pela milésima vez, ao entrar em casa deu de caras com David, o marido bêbado, enrolado com a vizinha do sexto.
Cansada de tanta afronta, com a fúria a transbordar por ela fora, foi à cozinha, pegou na primeira faca que encontrou, voltou à sala e com um golpe apenas, tirou as manias ao marido infiel.
Em pânico, ele pegou naquilo e correu para o hospital onde conseguiu que lhe voltassem a implantar o dito, mesmo que com um resultado bastante acanhado.
Ao saberem do sucedido, as vizinhas agarraram numa grande pedra branca e esculpiram uma estátua de um homem enorme e muito bem constituído mas com um sexo muito pequenino, que colocaram lá na vila, no largo da igreja para que nunca mais nenhum homem se lembrasse de faltar ao respeito à sua mulher.
O homem saía feliz de manhã para a caça enquanto a feliz mulher tratava da gruta com esmero. Ambos tinham barba e nenhum usava saltos altos.
Os filhos também não davam trabalho – raramente sobreviviam ao parto, e quando isso acontecia e conseguiam chegar a uma idade em que já poderiam gozar de alguma autonomia sem terem sido comidos por uma leoa, tinham tempo livre. Não havia escolas, por isso não havia más notas, nem reuniões de pais, nem bullying, nem birras por causa dos Vans, da PSP, do portátil ou do MP3.
Não havia natação, karaté, Hip Hop, francês, futebol nem patinagem, donde as crianças tinham disponibilidade total para brincarem sossegadas com os crocodilos da vizinhança.
Um belo dia, o homem constipou-se e ficou de cama. A mulher, para poder alimentar os filhos nesse dia, decidiu sair e tentar a sorte na caça. Não se safou porque não tinha musculos tão desenvolvidos como ele, mas usou a cabeça voltou com um belo par de robalos que deram um excelente petisco. Como ele continuava de estaleiro, com o nariz a pingar e a gemer por causa dos 37,2 de febre, ela tratou da gruta e dos meninos com o esmero de sempre.
Ora o rapaz, que era esperto, decidiu que o peixinho era bom mas ele não se ajeitava nessa arte, então seria ela a tratar do assunto uma vez por semana.
A moça, que não devia muito à sagacidade, concordou sem pedir nada em troca. E uma vez na semana lá ia ela à pesca, tratava dos meninos e da gruta, enquanto ele descansava da caça sentado à sombra de um pré-histórico chaparro.
As ampulhetas foram enchendo com a areia dos tempos mas as cabeças das mulheres só começaram a encher de esperteza mais tarde.
Assim, elas descobriram a forma de terem uma vida boa e sem complicações: como já não se caçava, elas pensaram que seria uma boa ideia dividirem tarefas. Eles ganhariam moedas e elas tratariam de comprar os mantimentos. Mas, espertas, convenceram-nos de que tinham sido eles a ter a ideia. Assim, eles saíam todos contentes de manhã para se matarem a arranjar as ditas moedas e elas iam calmamente com as amigas às compras, ao chá, ter com o amante, passear com as crianças. E voltaram a ser todos felizes – eles achavam que mandavam em casa, elas mandavam mesmo neles.
Eis senão quando apareceu uma gaja que queria mesmo era ser homem, mas não sabia que podia mudar. Vai daí, armou-se em revolucionária, e saiu por aí toda nua, montada num cavalo, depois de ter queimado a roupa interior, só porque decidiu que queria poder trabalhar com homens, em coisas de homens.
É evidente que as pessoas normais não lhe ligaram pevide, mas ali perto passavam umas senhoras muito femininas, bem postas na vida mas pouco inteligentes que acharam amoroso poderem ser professoras ou floristas. Então começaram a lutar por uma vida fora de casa, mas sempre impecavelmente arranjadas, penteadas, depiladas (deve ter sido ideia da revolucionária que queria andar sem roupa interior para massacrar as gajas), de saltos altos e luvas pelo cotovelo.
Ao inicio eles acharam uma modernice, não queriam esses avanços e fizeram-lhes a vida negra. Mas aos poucos compreenderam as maravilhas destas inovações e andavam cada vez mais satisfeitos: com outro salário o peso da responsabilidade de ter uma família a cargo era cada vez menor e o tempo livre cada vez maior. Por outro lado elas, acostumadas desde a gruta a terem de tomar conta de tudo, continuaram a fazê-lo. E bem.
De tão habituadas que e estavam ao cansaço deles, nem notaram que andavam elas cada vez mais de rastos, até a situação se tornar insustentável. Finalmente reconheceram que precisavam de ajuda e foram falar com os homens.
Foi quando inventaram a empregada doméstica.
Mas nem toda a gente podia pagar uma empregada, por isso a maior parte das mulheres continuava a esfalfar-se a trabalhar fora de casa e depois, dentro. Enquanto isso, os homens faziam cada vez menos e abusavam cada vez mais da paciência delas. De tal maneira que, a dada altura descobriram o televisor e aprenderam uma nova actividade que podiam desenvolver sentados no sofá, mas na qual tinham de utilizar ambas as mãos, o que era excelente para parecerem ocupados. A actividade chamava-se “comandates” – uma mão no comando e a outra nos ... bolsos.
Um belo dia 08 de Março, Lorena, uma bela morena, chegou do serviço mais cansada que o normal. Pela milésima vez, ao entrar em casa deu de caras com David, o marido bêbado, enrolado com a vizinha do sexto.
Cansada de tanta afronta, com a fúria a transbordar por ela fora, foi à cozinha, pegou na primeira faca que encontrou, voltou à sala e com um golpe apenas, tirou as manias ao marido infiel.
Em pânico, ele pegou naquilo e correu para o hospital onde conseguiu que lhe voltassem a implantar o dito, mesmo que com um resultado bastante acanhado.
Ao saberem do sucedido, as vizinhas agarraram numa grande pedra branca e esculpiram uma estátua de um homem enorme e muito bem constituído mas com um sexo muito pequenino, que colocaram lá na vila, no largo da igreja para que nunca mais nenhum homem se lembrasse de faltar ao respeito à sua mulher.
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