quinta-feira, março 18, 2010

O homem é um planeta estranho...

Conheço um rapaz que num dia normal, há uns tempos, foi pôr gasolina. Quando arrancou da bomba reparou na rapariga da caixa que lhe fazia sinalefas e acenos profusos. Não sei se estava ao telemóvel, aquela excrescência que tem no ouvido, mas é provável que sim, por isso ignorou a senhora e partiu a toda a brida, também provavelmente por estar atrasado para qualquer compromisso do qual dependia, se não a sobrevivência da espécie humana, pelo menos a dele próprio. No arranque sentiu alguma resistência do carro. Acelerou. A resistência continuava, por isso acelerou mais. Mais resistência e mais uma patada no acelerador e assim sucessivamente até que conseguiu arrancar. Parou uns metros à frente quando a dita rapariga da caixa se atravessou no caminho dele para o ajudar a tirar os restos da mangueira que ainda permaneciam dentro do depósito.

Uma certa sexta-feira, a mulher deste rapaz chegou a casa depois de um dia de trabalho especialmente cansativo e tinha os filhos prontos para sair, de mala aviada para dormirem fora. Ele confessou-lhe que tinha preparado um programa surpresa, de jantar romântico seguido de namoro raro e merecido. Jantaram num sitio chique, namoraram muito e foram dormir. Às cinco da madrugada ele acorda-a e diz-lhe ao ouvido: faz uma mala com roupa quentinha. Vamos para o Algarve. Felizes meteram-se no carro, mais a dormir que acordados, e ela – loira - nem reparou que seguiam para Norte. Só quando chegaram ao aeroporto é que ela percebeu que não iam para o Algarve, mas teve de esperar pelo check in para descobrir que o destino afinal era Londres.

Esta semana a sobrinha mais velha fez anos. Como é tradição, nos aniversários há sempre um jantar em casa dessa irmã dele. Este não foi excepção. De manhã a esposa zelosa alertou-o para o facto. Ele respondeu que sim. A meio do dia falaram e ela tornou a lembrá-lo de que o jantar era em Oeiras, em casa da irmã dele. Tornou a responder que sim. Às 20H ele ligou à mulher, estavam os quatro (mãe galinha e três pintos) a caminho, na autoestrada. Quando a filha lhe disse onde estavam ele perguntou: na autoestrada porquê? Foram visitar a bivó?


Esse mesmo rapaz, planeta estranho que é, costuma passar férias no Algarve com a família. Geralmente é a mulher que trata dos preparativos para a viagem – malas, comidas, material de praia, etc.
Um destes verões, à chegada ao local das férias, ele foi fazer umas comprinhas e, ao regressar, a mulher verificou que ele, cheio de iniciativa, tinha decidido adquirir uma embalagem de protector solar para as crianças. Ela observou que não era necessário, que tinha levado duas embalagens das grandes e que seria melhor ele devolvê-lo antes de se perder o dinheiro. Ele concordou e depositou a dita embalagem em cima do televisor, local onde permaneceu durante uma semana inteira até a mulher lhe chamar a atenção outra vez. Logo ali ele decidiu que era esse o momento e zarpou para a mercearia.
Regressou alguns minutos depois com o seu ar mais natural e perguntou à mulher: quem é o maior anormal que conheces? Ao que ela respondeu com toda a lógica: imagino que sejas tu, mas porquê? E ele mostra-lhe, retirando de trás das costas, um saco de compras. E lá dentro o creme. O mesmo creme. Ela, incrédula, tentava perceber o nexo daquilo até que ele explicou: pois ele tinha entrado no supermercado, agarrado num cesto, colocado lá dentro o creme, um pão de forma e um saquinho de pêras. No fim pagou tudo na caixa e saiu.

E é por estas e por outras do género que a mulher o adora. :-)

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