Era uma vez uma família paleolítica feliz.
O homem saía feliz de manhã para a caça enquanto a feliz mulher tratava da gruta com esmero. Ambos tinham barba e nenhum usava saltos altos.
Os filhos também não davam trabalho – raramente sobreviviam ao parto, e quando isso acontecia e conseguiam chegar a uma idade em que já poderiam gozar de alguma autonomia sem terem sido comidos por uma leoa, tinham tempo livre. Não havia escolas, por isso não havia más notas, nem reuniões de pais, nem bullying, nem birras por causa dos Vans, da PSP, do portátil ou do MP3.
Não havia natação, karaté, Hip Hop, francês, futebol nem patinagem, donde as crianças tinham disponibilidade total para brincarem sossegadas com os crocodilos da vizinhança.
Um belo dia, o homem constipou-se e ficou de cama. A mulher, para poder alimentar os filhos nesse dia, decidiu sair e tentar a sorte na caça. Não se safou porque não tinha musculos tão desenvolvidos como ele, mas usou a cabeça voltou com um belo par de robalos que deram um excelente petisco. Como ele continuava de estaleiro, com o nariz a pingar e a gemer por causa dos 37,2 de febre, ela tratou da gruta e dos meninos com o esmero de sempre.
Ora o rapaz, que era esperto, decidiu que o peixinho era bom mas ele não se ajeitava nessa arte, então seria ela a tratar do assunto uma vez por semana.
A moça, que não devia muito à sagacidade, concordou sem pedir nada em troca. E uma vez na semana lá ia ela à pesca, tratava dos meninos e da gruta, enquanto ele descansava da caça sentado à sombra de um pré-histórico chaparro.
As ampulhetas foram enchendo com a areia dos tempos mas as cabeças das mulheres só começaram a encher de esperteza mais tarde.
Assim, elas descobriram a forma de terem uma vida boa e sem complicações: como já não se caçava, elas pensaram que seria uma boa ideia dividirem tarefas. Eles ganhariam moedas e elas tratariam de comprar os mantimentos. Mas, espertas, convenceram-nos de que tinham sido eles a ter a ideia. Assim, eles saíam todos contentes de manhã para se matarem a arranjar as ditas moedas e elas iam calmamente com as amigas às compras, ao chá, ter com o amante, passear com as crianças. E voltaram a ser todos felizes – eles achavam que mandavam em casa, elas mandavam mesmo neles.
Eis senão quando apareceu uma gaja que queria mesmo era ser homem, mas não sabia que podia mudar. Vai daí, armou-se em revolucionária, e saiu por aí toda nua, montada num cavalo, depois de ter queimado a roupa interior, só porque decidiu que queria poder trabalhar com homens, em coisas de homens.
É evidente que as pessoas normais não lhe ligaram pevide, mas ali perto passavam umas senhoras muito femininas, bem postas na vida mas pouco inteligentes que acharam amoroso poderem ser professoras ou floristas. Então começaram a lutar por uma vida fora de casa, mas sempre impecavelmente arranjadas, penteadas, depiladas (deve ter sido ideia da revolucionária que queria andar sem roupa interior para massacrar as gajas), de saltos altos e luvas pelo cotovelo.
Ao inicio eles acharam uma modernice, não queriam esses avanços e fizeram-lhes a vida negra. Mas aos poucos compreenderam as maravilhas destas inovações e andavam cada vez mais satisfeitos: com outro salário o peso da responsabilidade de ter uma família a cargo era cada vez menor e o tempo livre cada vez maior. Por outro lado elas, acostumadas desde a gruta a terem de tomar conta de tudo, continuaram a fazê-lo. E bem.
De tão habituadas que e estavam ao cansaço deles, nem notaram que andavam elas cada vez mais de rastos, até a situação se tornar insustentável. Finalmente reconheceram que precisavam de ajuda e foram falar com os homens.
Foi quando inventaram a empregada doméstica.
Mas nem toda a gente podia pagar uma empregada, por isso a maior parte das mulheres continuava a esfalfar-se a trabalhar fora de casa e depois, dentro. Enquanto isso, os homens faziam cada vez menos e abusavam cada vez mais da paciência delas. De tal maneira que, a dada altura descobriram o televisor e aprenderam uma nova actividade que podiam desenvolver sentados no sofá, mas na qual tinham de utilizar ambas as mãos, o que era excelente para parecerem ocupados. A actividade chamava-se “comandates” – uma mão no comando e a outra nos ... bolsos.
Um belo dia 08 de Março, Lorena, uma bela morena, chegou do serviço mais cansada que o normal. Pela milésima vez, ao entrar em casa deu de caras com David, o marido bêbado, enrolado com a vizinha do sexto.
Cansada de tanta afronta, com a fúria a transbordar por ela fora, foi à cozinha, pegou na primeira faca que encontrou, voltou à sala e com um golpe apenas, tirou as manias ao marido infiel.
Em pânico, ele pegou naquilo e correu para o hospital onde conseguiu que lhe voltassem a implantar o dito, mesmo que com um resultado bastante acanhado.
Ao saberem do sucedido, as vizinhas agarraram numa grande pedra branca e esculpiram uma estátua de um homem enorme e muito bem constituído mas com um sexo muito pequenino, que colocaram lá na vila, no largo da igreja para que nunca mais nenhum homem se lembrasse de faltar ao respeito à sua mulher.
O homem saía feliz de manhã para a caça enquanto a feliz mulher tratava da gruta com esmero. Ambos tinham barba e nenhum usava saltos altos.
Os filhos também não davam trabalho – raramente sobreviviam ao parto, e quando isso acontecia e conseguiam chegar a uma idade em que já poderiam gozar de alguma autonomia sem terem sido comidos por uma leoa, tinham tempo livre. Não havia escolas, por isso não havia más notas, nem reuniões de pais, nem bullying, nem birras por causa dos Vans, da PSP, do portátil ou do MP3.
Não havia natação, karaté, Hip Hop, francês, futebol nem patinagem, donde as crianças tinham disponibilidade total para brincarem sossegadas com os crocodilos da vizinhança.
Um belo dia, o homem constipou-se e ficou de cama. A mulher, para poder alimentar os filhos nesse dia, decidiu sair e tentar a sorte na caça. Não se safou porque não tinha musculos tão desenvolvidos como ele, mas usou a cabeça voltou com um belo par de robalos que deram um excelente petisco. Como ele continuava de estaleiro, com o nariz a pingar e a gemer por causa dos 37,2 de febre, ela tratou da gruta e dos meninos com o esmero de sempre.
Ora o rapaz, que era esperto, decidiu que o peixinho era bom mas ele não se ajeitava nessa arte, então seria ela a tratar do assunto uma vez por semana.
A moça, que não devia muito à sagacidade, concordou sem pedir nada em troca. E uma vez na semana lá ia ela à pesca, tratava dos meninos e da gruta, enquanto ele descansava da caça sentado à sombra de um pré-histórico chaparro.
As ampulhetas foram enchendo com a areia dos tempos mas as cabeças das mulheres só começaram a encher de esperteza mais tarde.
Assim, elas descobriram a forma de terem uma vida boa e sem complicações: como já não se caçava, elas pensaram que seria uma boa ideia dividirem tarefas. Eles ganhariam moedas e elas tratariam de comprar os mantimentos. Mas, espertas, convenceram-nos de que tinham sido eles a ter a ideia. Assim, eles saíam todos contentes de manhã para se matarem a arranjar as ditas moedas e elas iam calmamente com as amigas às compras, ao chá, ter com o amante, passear com as crianças. E voltaram a ser todos felizes – eles achavam que mandavam em casa, elas mandavam mesmo neles.
Eis senão quando apareceu uma gaja que queria mesmo era ser homem, mas não sabia que podia mudar. Vai daí, armou-se em revolucionária, e saiu por aí toda nua, montada num cavalo, depois de ter queimado a roupa interior, só porque decidiu que queria poder trabalhar com homens, em coisas de homens.
É evidente que as pessoas normais não lhe ligaram pevide, mas ali perto passavam umas senhoras muito femininas, bem postas na vida mas pouco inteligentes que acharam amoroso poderem ser professoras ou floristas. Então começaram a lutar por uma vida fora de casa, mas sempre impecavelmente arranjadas, penteadas, depiladas (deve ter sido ideia da revolucionária que queria andar sem roupa interior para massacrar as gajas), de saltos altos e luvas pelo cotovelo.
Ao inicio eles acharam uma modernice, não queriam esses avanços e fizeram-lhes a vida negra. Mas aos poucos compreenderam as maravilhas destas inovações e andavam cada vez mais satisfeitos: com outro salário o peso da responsabilidade de ter uma família a cargo era cada vez menor e o tempo livre cada vez maior. Por outro lado elas, acostumadas desde a gruta a terem de tomar conta de tudo, continuaram a fazê-lo. E bem.
De tão habituadas que e estavam ao cansaço deles, nem notaram que andavam elas cada vez mais de rastos, até a situação se tornar insustentável. Finalmente reconheceram que precisavam de ajuda e foram falar com os homens.
Foi quando inventaram a empregada doméstica.
Mas nem toda a gente podia pagar uma empregada, por isso a maior parte das mulheres continuava a esfalfar-se a trabalhar fora de casa e depois, dentro. Enquanto isso, os homens faziam cada vez menos e abusavam cada vez mais da paciência delas. De tal maneira que, a dada altura descobriram o televisor e aprenderam uma nova actividade que podiam desenvolver sentados no sofá, mas na qual tinham de utilizar ambas as mãos, o que era excelente para parecerem ocupados. A actividade chamava-se “comandates” – uma mão no comando e a outra nos ... bolsos.
Um belo dia 08 de Março, Lorena, uma bela morena, chegou do serviço mais cansada que o normal. Pela milésima vez, ao entrar em casa deu de caras com David, o marido bêbado, enrolado com a vizinha do sexto.
Cansada de tanta afronta, com a fúria a transbordar por ela fora, foi à cozinha, pegou na primeira faca que encontrou, voltou à sala e com um golpe apenas, tirou as manias ao marido infiel.
Em pânico, ele pegou naquilo e correu para o hospital onde conseguiu que lhe voltassem a implantar o dito, mesmo que com um resultado bastante acanhado.
Ao saberem do sucedido, as vizinhas agarraram numa grande pedra branca e esculpiram uma estátua de um homem enorme e muito bem constituído mas com um sexo muito pequenino, que colocaram lá na vila, no largo da igreja para que nunca mais nenhum homem se lembrasse de faltar ao respeito à sua mulher.

2 comentários:
A estatua de David de Michelangelo, penso está em Florença.
Quem sabe, não foi esculpida para as mulheres sonharem, com um mundo perfeito, na qual todas elas encontram um príncipe e não um monstro que as maltrata.
É bom sonhar. É bom pensar que um dia, todos os dias, serão dias da mulher e que não haverá razões para um dia só, de celebração.
Gostei da alegoria sábia.
... Brilhante!
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