Estas últimas semanas não têm sido fáceis: na 3ª feira dia 03 de Novembro, a Teresa foi para a escola de manhã, óptima. Ao fim do dia, quando fui buscá-la, já trazia tudo aquilo a que tinha direito - febre, dores de cabeça, dores no corpo, tosse e dores de garganta. Liguei imediatamente para a tal linha, mas nicles. Falei então para o pediatra que me disse logo de caras que se tratava de um quadro da famosa gripe e para nos prepararmos que íamos ser todos corridos. Explicou-me os sinais de alarme e o que é que eu devia fazer no caso de observar algum deles. E pronto, fiquei de sentinela, passei a dormir só com metade do corpo.
Na noite de quinta - feira o Filipe não se sentia bem, estava engripado, dizia. Nessa mesma noite a Teresa sentiu dificuldade em respirar e acabei a madrugada no hospital com ela, onde o médico também foi de opinião que era um quadro clássico de gripe A H1N1, com direito a papel passado e tudo.
Na sexta, o Filipe ainda não estava bem e ficou de molho, no Sábado também. Mas no Domingo estava melhor e, como tinha o trabalho todo de pantanas decidiu ir trabalhar na segunda- feira. Mas antes disso o Vasco tinha dentista e eu lá fui com ele.
A meio da consulta recebo uma mensagem a dizer para estar atenta quando voltasse para casa, que o cão tinha fugido e sem coleira. Ah, grande Migas, saudades, hein?
No regresso não o vi, portanto esperei que ele voltasse. Mas ele não voltou.
À tarde apareceu cá uma amiga minha para beber um cafézinho na cozinha (uma visita de duas que tive), nada de muito chegado aos doentes. Cinco minutos depois de sair liga-me a dizer que o cão estava a causar desacatos no meio da rua. E lá fui eu disparada, de trela em riste para o meter no carro, tarefa que só consegui com a preciosa ajuda dela - o nosso bebé já passa dos 30 quilos.
Nesse mesm dia, já eu cantava de galo, que afinal éramos todos de pedra e que a coisa afinal não era assim tão contagiosa, quando o Vasco apareceu com um quadro igualzinho. Deitei mãos à cabeça – é que ficar uma semana inteira fechada em casa com uma criança doente não é fácil, agora duas semanas... não devo nada a ninguém, bolas!
Ao Vasco a gripe apanhou mais os intestinos e o estômago e menos a garganta, o que deu uma certa graça à minha segunda semana, para variar.
Estava tudo bem, ele quase recuperado, apesar de tanto ele como a Teresa continuarem a tossir, e eu já cantava de galo outra vez. A Verinha é que é mesmo de ferro. Qual quê? Sábado de manhã, trungas 39,1. Até ferveu, literalmente.
Hoje é terça, dia 17 e o Filipe já anda há dois dias a queixar-se que está pior outra vez. Decidiu ir ao médico, que o mandou fazer a análise. Tem suspeitas.
Afinal parece que a única de pedra sou eu...
No meio disto fala-se da gripe e parece que estamos a falar de lepra daquela que faz cair bocados. Toda a gente foge a sete pés como se o simples facto de eu respirar o mesmo ar lhes fosse queimar os olhos ou os pulmões ou fazer o sangue ficar duro nas veias.
À falta de visitas ou melhor entretém, temos essa maravilhosa e por vezes subvalorizada peça de mobiliário que é a televisão. Posso dizer sem ponta de orgulho, que neste momento sinto-me apta a responder a qualquer pergunta que me façam sobre a programação da porra do Disney Channel. Qualquer pergunta, sem medo.
Como se chama a saloia da meia irmã mais velha do Derek? Casey.
Quantos são os bimbalhões dos Jonas Brothers? Três na banda mais um pequeno.
A que dia da semana dá a trampa do episódio novo dos Feiticeiros de Waverly Place? Segundas.
Como se chama a burra da melhor amiga da Hannah Montana? Lilly.
E quantos videoclips barulhentos e pirosos passam nessa porcaria desse canal todos os dias? Cinquenta e dois mil trezentos e oitenta e seis, porra!
Vêem? Sei tudo. E estou um bocadinho... nervosa?
Agora cheguei ao ponto de, em vez de vomitar a Raven para cima deles, enviar mails ao meu filho, eu semi catatónica no meu portátil, ele amoroso no seu Magalhães, os dois sentados no mesmo sofá, enquanto a Vera pinta o tapete da sala com giz.
Era isso ou eu esgazeava os olhos e ia nua, de gabardina aberta, com umas cuecas do Filipe enfiadas na cabeça, gritar obscenidades para a porta do supermercado.
Toda a gente nos avisa da gripe, mas caramba, ninguém nos prepara para isto! Não prepara mesmo.
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