Este ano a Teresa passou para o 5º e teve que mudar de escola. Após meses de intensa angústia, aturada pesquisa, contas minuciosas e estatísticas várias sobre o efeito que a decisão teria sobre a qualidade de vida de todos os elementos desta família, optámos por um colégio com qualidade de ensino reconhecida, não demasiado caro e perto da escola onde andam os outros dois.
Como o mundo não é um local perfeito, alguém se lembrou de criar a palavrinha "mas". E o mas desta situação é que o colégio é religioso.
Não é que tenha alguma coisa contra, mas tanto o Filipe como eu somos agnósticos convictos, o que apenas tornou a nossa decisão um bocadinho mais demorada. Concluímos então que mal não faria e até podia ser que lhe fizesse bem. E ela lá anda feliz e contente.
Aqui há dias, ao jantar, a Teresa mencionou que ia ter teste de Moral - pronto, têm destas coisas - que precisava de decorar os dez mandamentos e se, por acaso nós não os sabíamos.
Não querendo passar por ignorantes, lá começámos os dois: não matarás, não roubarás, não cobiçarás a mulher do próximo.
E ela, mas isso são só três!
Como nenhum de nós se lembrava de mais mandamentos, começamos a inventar: não farás mal aos animais, não poluirás as águas e as terras... e assim por diante. Não faltarás ao respeito a ninguém, não deixarás comida no prato. Apesar do ridículo, até achávamos que estes eram uns bons mandamentos e mantivemos o nosso ar compenetrado de pais responsáveis e sérios. Intenção que ela deitou por terra quando se levantou da mesa e, com um suspiro disse:
-Não inventarás os dez mandamentos...
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