quinta-feira, maio 20, 2010

Os dias são todos diferentes...

Ainda não eram 7 da madrugada quando uma sirene infernal, não sei se de ambulância, carro de bombeiros ou polícia irrompeu desenvergonhadamente pelas profundezas dos meus sonhos. Quando eu já estava prestes a ficar surda ou louca, o meu pequeno cérebro, amigo de ocasião a tentar talvez aguentar-se são mais um tempinho, decidiu acabar com o martírio. Acordou-me de rompante, à bruta, com a desconsideração que lhe mereço, tal é o tratamento que lhe tenho dado, para me fazer ver que o tormentoso buzinão não passava de um ataque histérico do meu despertador. Arrastei-me para fora da cama, fui acordar a tropa, dei de comer ao cão, bebi um copo de água, preparei o almoço da Teresa e ... sentei-me na cozinha a ler. Isto é claramente uma coisa que eu não tenho pr hábito fazer. As minhas manhãs, aliás os meus dias são frenéticos, mas hoje não me apeteceu. Deixei-me estar sossegada, interrompendo apenas a leitura para dar um grito ou assim. Cerca das 8 horas, a Teresa e o Vasco estavam prontos. A Vera quis ficar em casa, o pai ainda dormia, pelo que saí com toda a calma para ir levar os mais velhos. Às 8.20 já tinha deixado um em cada escola e regressava com toda a calma a casa, quando me lembrei de ir comprar pão. Parei em frente da padaria, recolhi os trocos espalhados pelo chão e pelos vários compartimentos e buracos do carro e lá fui, a salivar pelas minhas vianinhas mal passadas. No regresso ao carro oiço um animadíssimo “olá Marta”, que me deixou petrificada. Voltei-me e dei de caras com uma amiga das minhas irmãs, impecavelmente vestida, calçada, penteada e perfumada a atravessar a rua para me cumprimentar. A mim. Que estava com a cara num pastel, de pijama, roupão e pantufas, no meio da rua. Lancei-lhe o meu melhor sorriso enquanto procurava qualquer coisa para dizer que não deixasse dúvidas quanto à minha sanidade mental. Com o meu ar mais natural perguntei-lhe o que fazia ela ali, ela respondeu que se tinha mudado recentemente, eu observei que estava de pijama, ela respondeu que tinha reparado, eu disse então adeuzinho, ela também, e foi cada uma à sua vida. Voltei então a casa, tomamos o pequeno almoço, tratei da Vera e de mim, ele saiu rumo a um dia complicado, eu fui deixá-la à escola e fui trabalhar. Apanhei pouco transito, por isso decidi parar na Galp de Oeiras para beber um café. Na fila encontrei uma outra conhecida, tão ostensivamente grávida que não resisti à pergunta sacramental. Para quando é? Pois não era. Estava apenas gorda. E eu que ao cabo de mil tiros ao lado, tinha jurado a mim mesma que nunca mais na vida perguntava nada disso a ninguém! Os dias são todos diferentes, mas uns são mais diferentes que outros.

1 comentário:

Ulisses Martins disse...

LOL

Foi mesmo um começo de dia à filme.
Espero que depois o resto do dia tenha sido mais calmo e que tenha recuperado na noite seguinte o pouco que dormiu.

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