sábado, maio 22, 2010

Também há morenas loiras burras

Desde há uns anos que se fala da proporção directa entre o loiro do cabelo de uma mulher e um nível incomensuravel de burrice. Fala-se das asneiradas das loiras com indulgência e contam-se anedotas de loiras como antes se contavam anedotas do Samora Machel. Afinal está provado que a forma mais eficiente de provocar o riso é fazer a audiência sentir-se superior, portanto, ridicularizar alguém, mesmo que esse alguém seja a nossa própria pessoa.Apesar de não possuir argumento algum que fundamente aquilo que vou dizer a seguir, acho que a coisa faz sentido: como o passado se encarregou de nos provar, há uma série de loiras naturalíssimas que ficaram para a história por motivos bem mais nobres que umas míseras asneiradas gramaticais, nomeadamente por serem, imagine-se, inteligentes.(nesta altura fui fazer uma pesquisa na Internet em busca de loiras naturais famosas, prémios nobel, cientistas, astronautas... e, qual não foi o meu espanto ao descobrir que não há quase loiras nestas áreas? Mesmo as pintadas são muito poucas, caraças! Lá se vai a minha teoria). Ainda assim temos o exemplo de mulheres loiras, poderosas, ricas e/ou inteligentes, que souberam gerir as suas carreiras ou fizeram diferença no mundo – Madonna, a artista mais influente do planeta, Margaret Thatcher, a Dama de Ferro, primeira mulher primeiro-ministro britânica; Sharon Stone, mais famosa pelo QI de 154 do que propriamente pelo talento como actriz (apesar de cruzar lindamente as pernas), ou mesmo Nossa Senhora de Fátima, cujos extraordinários feitos dispensam mais conversas.Seja como for, depois de pensar um bocadinho, sou capaz de jurar que esta imagem das loiras se deve à forma quase obcessiva como a dada altura as mulheres americanas primeiro e mais tarde as outras todas, desataram a copiar o estilo oco e a imagem coquette da loira mais famosa e namoradeira do Mundo – Marilyn Monroe. Daí à banalização do género foi um instante. De repente era só loiras amorosas, cheias de pernas e mamocas e decotes e bocas sensuais em tudo o que era película, desde as Marés Vivas às coelhinhas da Playboy, passando pelos hard core mais rascas da tv espanhola. É um mercado, e um mercado que vende bem. E elas são espertas em ganhar com isso.Mas se formos a ver com atenção, há montões de morenas igualmente ricas e igualmente inteligentes e igualmente sensuais e igualmente namoradeiras. E igualmente loiras burras.Isto tudo para esclarecer que, estou convencida de que ser loira burra, antes de ser uma característica física, é um traço de personalidade. É a falta de tacto, a verborreia desenfreada, a inconveniência crónica, a falta de maturidade, a futilidade que, em algumas personalidades é apenas mais evidente que noutras.E agora me confesso – apesar de o meu loiro ser pintado e de não ser completamente parva, eu tenho uma loira burra dentro de mim. Sou muitas vezes inconveniente, falo demais, sou um bocadinho (mas só um tudo nada) fútil e às vezes não penso. Não penso mesmo. E não é de propósito. E depois dá um resultado assim:Aqui há tempos houve um jantarinho em nossa casa. Quando as pessoas saíram reparei que estava um telemóvel em cima do sofá e que era o telemóvel de uma das minhas cunhadas. Consciente da enorme importância que estas coisinhas passaram a ter na nossa vida apressei-me a ligar para a avisar. E para onde liguei eu? Para o telemóvel dela. Claro que ele desatou a tocar ali, em cima do sofá. Ao ouvir o toque estridente e incomodativo gritei: Filipe, atende aqui que eu estou ao telefone!Como ele pensou que eu estava a gozar, não se mexeu e levou ainda com aquela frase típica, dita entredentes – bolas, sempre eu, sempre eu .... fazer tudo sozinha... dassss!

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