sexta-feira, março 18, 2011

Blondie


Ontem era dia de ir à cidade. Tinha reunião em lisboa e lá fui. No decorrer desse encontro notei que a minha interlocutora tinha alterado ligeiramente a cor do cabelo e comentei que estava muito gira.

Logo ela se apressou a explicar que tinha sido no cabeleireiro logo ali em baixo, rapariga competente, Graça de sua graça. Para eu ir e chamar por ela.

Saí da reunião e lá fui. Apesar de ser hora de almoço não estava muito cheio e Graça estava disponível.

Expliquei que pretendia apenas iluminar o tom do meu cabelo, estava baço e sem vida. A rapariga acenou. Que sim, que sim, que sabia exactamente o que eu queria.

E, vai daí, agarra-se a mim como se disso dependesse a própria vida.

Faço aqui um parentesis para explicar uma coisa: apesar de já andar desconfiada, só ontem a realidade se abateu sobre mim com uma violência cataclísmica: sou mesmo saloia. Uma provínciana. Pois que ontem realizei, com algum pesar, confesso, que nunca na minha vida tinha posto os pés num cabeleireiro da capital.

Mas vá, adiante.

A rapariga agarra-se-me aos cabelos a mexer, a mexer e eu ali em nervos, que não tenho paciencia nenhuma para aquela imobilidade toda e só me apetece é fumar e comer e tenho comichão na cabeça. Entre um artigo de fundo na Flash e uma monografia que analiso na Lux vou observando o que ela estará a tramar ali pelas bandas da caixinha dos pirolitos. Reparo com surpresa que em Lisboa, por exemplo, já não usam pratas para fazer nuances, usam uma espécie de tecido esponjoso que faz lembrar esferovite translúcida e tem um nome em inglês. Aliás, já nem nuances chamam àquilo, a palavra agora é contrastes.

Não sei se será do nome, mas os contrastes demoram muito mais tempo a abrir que as nuances, caraças! Estive tanto tempo sentada que cheguei a temer que o meu traseiro outrora mole, mas por estes dias um autêntico pudim, derretesse cadeira abaixo.

Por fim, lá a Graça deu um ar da sua graça, para impedir uma desgraça.

Tirou os papelotes muuuuuuito devagaaaar, colocou um creme não sei de quê e começou a cortar. Com uma máquina. Quando ouvi o som quase saltei da cadeira (na verdade saltei mesmo, mas não se deu por isso porque o meu rabo não se mexeu), não fosse ela achar que tinha ficado tão mal que não havia outro remédio a não ser rapar. Mas parece que é mesmo assim - mais modernices da capital, concerteza.

No final a obra da Graça não foi cara e não ficou nenhuma desgraça, acho eu. Mas de cada vez que passo num espelho pergunto-me: porque é que o Roberto Leal não me larga?

1 comentário:

Anónimo disse...

Elias, mesmo sem ver o resultado final, acredito que seria bem pior se fosse o Roberto Carlos em vez do Roberto Leal :-)
Já te imagino com aqueles farripos de cabelo atrás e de franginha....
UM VERDADEIRO ESPECTACULOOOOOOOOOOOOOO!!!!!!!!