Há por essa internet fora um sem número de textos, mais ou menos engraçados, mais ou menos inteligentes, que definem o casamento como o fim da vida sexual dos casais. Não podia estar menos de acordo. Assim parece, de facto. Mas nem tudo o que luz é ouro...
Há aqui duas coisas que gostaria de deixar claras desde já:
1 - ninguém casa para ter sexo
2 - o ser humano preza a estabilidade acima de tudo.
Há um monte de coisas que se alteram com o casamento, nomeadamente o local onde o sexo é praticado. Se na adolescência qualquer sítio serve, desde o hall do prédio de casa da avó, ao automóvel embaciado na estrada do Guincho, depois de dar o nó há uma tendência mórbida para o praticar sempre e invariavelmente na cama. Claro que há um monte de desculpas que podemos dar, os filhos, a interna, os vizinhos, blá, blá, blá, mas isso não muda nada.
Este facto, por si só, não teria grande interesse, dado que há uma infinidade de actos altamente estimulantes, susceptíveis de serem praticados no leito conjugal, mas se lhe juntarmos a hora, então está tudo estragado. Com o casamento, o sexo passa a ser praticado na cama, à hora de ir para a cama.
Isto sim, é devastador para a relação. Para começar e se acontecer torna tudo insuportávelmente previsível. Cama igual a sexo 3 vezes por semana, às 23 horas, ele por cima, ela por baixo, devagarinho, baixinho, poucochinho. Olha os meninos, olha a mãezinha, olha a porteira, já está?
Portanto, aparentemente aqui passaria a ficha tecnica da relação, os créditos finais. Mas, na realidade, pode ser apenas o começo.
.
É certo e sabido que as pessoas casam cada vez mais tarde. Isso também não teria grande interesse, não fora o problema da conservação. Há uns anos, ao juntar o seu destino ao de outra pessoa, a maior parte das mulheres era muito jovem e pretendia apenas constituir uma família e viver feliz para sempre. As alterações no corpo por consequência de gravidezes e os efeitos do envelhecimento vinham no pacote, e isso incomodava pouco, poucas mulheres e poucos homens.
Mas tudo mudou, e agora, as mulheres já compreenderam que o casamento não é garantia nenhuma de nada, e que a sociedade tende a valorizar cada vez mais o aspecto fisico, por isso têm aprendido a acautelar-se. Enquanto assistimos passivamente à engorda dos nossos homens, pouco vaidosos e muito latinos, sem nos importarmos, eles, à medida que envelhecem só querem bola, amigos, uma mulher que não cheteie e babarem-se para cima de umas bombocas (boneca de aspecto plastificado constituída por chocolate por fora e espuma por dentro).
A mulher de bigode que casava para garantir o futuro e não se separava por não poder, morreu. A abertura das mentalidades tornou naturais as relações entre pessoas mais velhas e outras mais novas, entre pessoas do mesmo sexo, entre pessoas casadas, divorciadas, etc. E isto, veio alterar verdadeiramente o estado de coisas. Hoje, ao casar, ninguém está a garantir o seu futuro, está a hipotecá-lo. E paga uma prestação pesada e diária em rugas, flacidez e cabelos brancos, às vezes para chegar a uma certa altura e perder tudo na mesma. Tudo em nome de uma certa estabilidade que não nos habituamos a não ter.
Então, as mulheres aprenderam a prevenir-se, garantindo que teriam um casamento longo e feliz, sem juros.
E isto, que aqui descrevo, é a imagem perfeita e acabada de um casamento de sucesso.
Marido e mulher desligam a televisão, dobram as mantinhas, calçam os chinelos e levantam-se do sofá para irem deitar-se.
Ele: chega ao quarto, despe-se, atira a roupa para cima da cadeira, veste o pijaminha, lava os dentes e deita-se.
- Boa noite, querida.
E adormece.
Ela: chega ao quarto, despe-se na casa de banho, separa a roupa para lavar e dobra a restante, prende o cabelo, lava a cara, seca-a, retira os restos de maquilhagem com desmaquilhante, passa novamente água na cara, seca-a, espalha o tónico, coloca o contorno de olhos, lava os dentes, toma as vitaminas do cabelo, as de beta-caroteno e a pílula, bochecha com o elixir e coloca o creme de rosto. Espalha o da celulite nas coxas e ventre, fricciona bem por 5 minutos, passa o creme refirmante de seios e aguarda também que absorva. Veste o pijama. Sai da casa de banho, põe no cesto a roupa para lavar e a restante arruma no roupeiro. Volta à casa de banho onde sentada, coloca creme hidratante nos pés e calça uma espécie de meias. Finalmente, passa o creme hidratante nas mãos e ainda a massaja-las dirige-se para a cama.
Obviamente, nesta altura o marido já vai no segundo sono.
Portanto, assim é, de facto. O casamento parece acabar com a vida sexual do casal. Mas na realidade, em muitos casos é responsável pelo seu início, de facto. Tanto um como outro, deixaram de ver o casamento como uma hipoteca, mas como uma parceria; dois amigos que unem esforços para obter um futuro risonho e estável. Eles, são unânimes em concordar que uma aliança no dedo é como iman para as bombocas desta vida, sucesso garantido. Sentem-se uns garanhões, andam felizes e contentes e chegam a casa apenas a pensar em comida e sofá. Não fazem perguntas, nem se questionam.
Elas, tratam-se bem, andam frescas e sorridentes, e principalmente fazem tudo para não hostilizar o marido. Como são organizadas lavam, passam, arrumam, cozinham, transportam e ainda têm tempo para sair. Não fazem perguntas porque não gostam de mentiras.
E assim mantém-se incólumes para os solteiros fresquinhos que as acham lindas e experientes, não lhes dão trabalho e não estão lá à hora de deitar...
É assim que se vive na maior paz e harmonia, com sexo variado e toneladas da almejada estabilidade.
Resumindo e concluíndo: o segredo de um casamento longo e feliz...
É preciso dizer?
Sem comentários:
Enviar um comentário