Para mulheres chatas, para mulheres que acham que são chatas, para mulheres que acham que os homens as acham umas chatas, para homens chatos, para homens que acham as mulheres umas chatas, para mulheres que acham os homens uns chatos porque as acham umas chatas... Para toda a gente, portanto.
segunda-feira, dezembro 14, 2009
Actualidade
quarta-feira, novembro 18, 2009
Numa de aliviar a pressão...
Resolvida a primeira tarefa, abraçámos a segunda.
Se até ontem não existia para mim piores vendedores que os de timesharing, agora a pústula foi tomada por um novo tipo de larvas: os vendedores de comida para animais.
Foi assim:
Eu:
- Boa noite.
Empregado solícito:
- Boa noite.
Eu:
- Olhe, eu queria comprar comida para o meu cão e preciso de um conselho seu.
Empregado cagão, de sobrolho levantado:
- Sim?
Eu, receosa:
- A ração que nós costumamos dar ao cachorro é a Royal Canin, mas isso é o mesmo que alimentar o cão a bifes do lombo, por isso eu estava aqui a pensar se não haveria uma mais baratinha, mesmo que de qualidade ligeiramente inferior...
(tipo bife de perú, pensei eu)
Empregado empertigado:
- Ai, não. Quer dizer, ter temos, mas não são boas rações. Cá em Portugal só há cinco boas: Royal, Eukanuba... (e desata para lá a debitar mais umas marcas de que eu nunca ouvi falar).
Eu, ligeiramente irritada:
- Mas são más? Tipo causam distúrbios intestinais, fazem cair o pelo ou cegam os pobres bichos?
Empregado empertigado, em tom condescendente:
- Não, nada disso, minha senhora. Mas sabe, eu trato a minha cadela como se fosse minha filha...
(se há coisa que eu não aguento nesta vida é que me tratem por “minha senhora”)
Eu, um bocado mais irritada:
- Sabe, é que eu filhos tenho três e não os alimento a caviar e champanhe francês, mas não tarda nada não tenho dinheiro nem para lhes dar ossos moídos. Repare que eu não pretendo dar ao cachorro lixo nem restos de animais em decomposição, só queria saber se há alguma ração mais em conta, é que ele só tem ainda seis meses e já gastamos com a comidinha dele quase o mesmo que em escolas.
Empregado ainda mais condescendente:
- Tudo bem, arranjo-lhe uma mais barata. Mas está a ver aquela cadela ali?
(e aponta para um hipopótamo dourado a ressonar no meio da loja)
Se não fossem as rações boas que sempre lhe dei, ela hoje já não se mexia, coitadinha.
(e toca de chamar a morsa com nome de mulher, para perto de nós, o que causou logo um chilique na Teresa, que morre de medo até do Migas)
Empregado condescendente, muito técnico e ligeiramente irritado comigo, continua:
- Se fosse um cão pequeno, vá, até aos dez quilos, ainda podia optar por um outro alimento, mas os cães grandes - já percebi que o vosso é grande, não é? - precisam de reforçar as articulações para poderem permanecer no seio da família mais tempo e com mais qualidade de vida. Além de que os cães de grande dimensão têm muita tendência para problemas no estômago...
Eu, fula da vida, a ponto de lhe enfiar uma coleira estranguladora pela goela abaixo:
- Ok pronto, ganhou. Dê-me lá a Royal de 15 quilos, por favor.
Paguei, agarrei na saca e atravessei o shopping de uma ponta à outra com aquilo ao lombo, em cinco segundos, com a Teresa quase a correr atrás de mim.
Sou fraca, por isso garanto que para a próxima nem passo perto dele e da sua lojinha pretenciosa. Vou direitinha ao Continente.
Os dez mandamentos
Como o mundo não é um local perfeito, alguém se lembrou de criar a palavrinha "mas". E o mas desta situação é que o colégio é religioso.
Não é que tenha alguma coisa contra, mas tanto o Filipe como eu somos agnósticos convictos, o que apenas tornou a nossa decisão um bocadinho mais demorada. Concluímos então que mal não faria e até podia ser que lhe fizesse bem. E ela lá anda feliz e contente.
Aqui há dias, ao jantar, a Teresa mencionou que ia ter teste de Moral - pronto, têm destas coisas - que precisava de decorar os dez mandamentos e se, por acaso nós não os sabíamos.
Não querendo passar por ignorantes, lá começámos os dois: não matarás, não roubarás, não cobiçarás a mulher do próximo.
E ela, mas isso são só três!
Como nenhum de nós se lembrava de mais mandamentos, começamos a inventar: não farás mal aos animais, não poluirás as águas e as terras... e assim por diante. Não faltarás ao respeito a ninguém, não deixarás comida no prato. Apesar do ridículo, até achávamos que estes eram uns bons mandamentos e mantivemos o nosso ar compenetrado de pais responsáveis e sérios. Intenção que ela deitou por terra quando se levantou da mesa e, com um suspiro disse:
-Não inventarás os dez mandamentos...
terça-feira, novembro 17, 2009
A gripe e eu (um bocadinho longo, mas foram muitos dias)
Na noite de quinta - feira o Filipe não se sentia bem, estava engripado, dizia. Nessa mesma noite a Teresa sentiu dificuldade em respirar e acabei a madrugada no hospital com ela, onde o médico também foi de opinião que era um quadro clássico de gripe A H1N1, com direito a papel passado e tudo.
Na sexta, o Filipe ainda não estava bem e ficou de molho, no Sábado também. Mas no Domingo estava melhor e, como tinha o trabalho todo de pantanas decidiu ir trabalhar na segunda- feira. Mas antes disso o Vasco tinha dentista e eu lá fui com ele.
A meio da consulta recebo uma mensagem a dizer para estar atenta quando voltasse para casa, que o cão tinha fugido e sem coleira. Ah, grande Migas, saudades, hein?
No regresso não o vi, portanto esperei que ele voltasse. Mas ele não voltou.
À tarde apareceu cá uma amiga minha para beber um cafézinho na cozinha (uma visita de duas que tive), nada de muito chegado aos doentes. Cinco minutos depois de sair liga-me a dizer que o cão estava a causar desacatos no meio da rua. E lá fui eu disparada, de trela em riste para o meter no carro, tarefa que só consegui com a preciosa ajuda dela - o nosso bebé já passa dos 30 quilos.
Nesse mesm dia, já eu cantava de galo, que afinal éramos todos de pedra e que a coisa afinal não era assim tão contagiosa, quando o Vasco apareceu com um quadro igualzinho. Deitei mãos à cabeça – é que ficar uma semana inteira fechada em casa com uma criança doente não é fácil, agora duas semanas... não devo nada a ninguém, bolas!
Ao Vasco a gripe apanhou mais os intestinos e o estômago e menos a garganta, o que deu uma certa graça à minha segunda semana, para variar.
Estava tudo bem, ele quase recuperado, apesar de tanto ele como a Teresa continuarem a tossir, e eu já cantava de galo outra vez. A Verinha é que é mesmo de ferro. Qual quê? Sábado de manhã, trungas 39,1. Até ferveu, literalmente.
Hoje é terça, dia 17 e o Filipe já anda há dois dias a queixar-se que está pior outra vez. Decidiu ir ao médico, que o mandou fazer a análise. Tem suspeitas.
Afinal parece que a única de pedra sou eu...
No meio disto fala-se da gripe e parece que estamos a falar de lepra daquela que faz cair bocados. Toda a gente foge a sete pés como se o simples facto de eu respirar o mesmo ar lhes fosse queimar os olhos ou os pulmões ou fazer o sangue ficar duro nas veias.
À falta de visitas ou melhor entretém, temos essa maravilhosa e por vezes subvalorizada peça de mobiliário que é a televisão. Posso dizer sem ponta de orgulho, que neste momento sinto-me apta a responder a qualquer pergunta que me façam sobre a programação da porra do Disney Channel. Qualquer pergunta, sem medo.
Como se chama a saloia da meia irmã mais velha do Derek? Casey.
Quantos são os bimbalhões dos Jonas Brothers? Três na banda mais um pequeno.
A que dia da semana dá a trampa do episódio novo dos Feiticeiros de Waverly Place? Segundas.
Como se chama a burra da melhor amiga da Hannah Montana? Lilly.
E quantos videoclips barulhentos e pirosos passam nessa porcaria desse canal todos os dias? Cinquenta e dois mil trezentos e oitenta e seis, porra!
Vêem? Sei tudo. E estou um bocadinho... nervosa?
Agora cheguei ao ponto de, em vez de vomitar a Raven para cima deles, enviar mails ao meu filho, eu semi catatónica no meu portátil, ele amoroso no seu Magalhães, os dois sentados no mesmo sofá, enquanto a Vera pinta o tapete da sala com giz.
Era isso ou eu esgazeava os olhos e ia nua, de gabardina aberta, com umas cuecas do Filipe enfiadas na cabeça, gritar obscenidades para a porta do supermercado.
Toda a gente nos avisa da gripe, mas caramba, ninguém nos prepara para isto! Não prepara mesmo.
terça-feira, novembro 03, 2009
Lógica infantil...
A caminho do aeroporto, onde fomos fazer-lhe a surpresa de o resgatar à corrupta fila dos táxis, munidos de um grande cartaz que a Teresinha passou metade da tarde a fazer - e que por acaso ele foi o único passageiro a sair por aquela porta que não o viu, mas pronto - dizia eu, a caminho do aeroporto passámos perto do Hospital do SAMS. Eu comentei com eles que tinha sido ali mesmo que a Vera tinha nascido. Logo o Vasco perguntou: e dói muito, mãe, deitar o bebé?
Claro que, entre gargalhadas, lhe disse que sim, mas que não se diz "deitar o bebé".
Ele ficou com aquela carinha típica, de olhos redondos espantados e perguntou à Teresa baixinho:
- É pôr o bebé que se diz?
terça-feira, outubro 20, 2009
Este é diferente...
Mas há aqui uma excepção – os aniversários dos meus filhos. De cada vez que um deles celebra a passagem de mais um ano, dou comigo a pensar. Assomam-me sempre à memória recordações intensas como o dia em que soube que estava grávida, as ecografias mais decisivas, as reacções de amigos e familiares, a velocidade com que o tempo passa.
Mas é claro que, as mais vívidas, gravadas em todo o meu ser com a pujança do primeiro dia e que voltam sempre como boomerangs anuais, são as recordações dos partos – as horas que os antecederam, as nossas expectativas nas vésperas, os preparativos, a ansiedade, as inevitáveis dores, as juras de amor eterno, o momento absolutamente mágico e irrepetível que é dar à luz.
Às vezes perguntam-me se não baralho as memórias. Impossível – eles são três e cada gravidez foi única e repleta de momentos próprios, cada parto decorreu de sua forma e cada um deles nasceu em seu sítio, cada um assistido por um médico, eu assistida por três diferentes. O único elemento comum é que, em todos eles, estávamos lá nós. Os dois. Não era eu acompanhada pelo Filipe, era eu e o Filipe – um ser apenas.
Penso muitas vezes, e não apenas nestes dias, na sorte que temos. Tanto ele como eu vimos de famílias sudáveis – fisica e mentalmente – tivemos uma vida boa, bem recheada, que nos preparou. Temos uma relação linda, da qual nasceram três filhos maravilhosos, cheios de saúde, de vida, de alegria, de imaginação. Temos uma vida mesmo boa. Tão boa que por vezes quase sufoco de medo. É por isso que nunca esqueço a importância de aproveitar cada nanosegundo das nossas existências. Aquilo que já vivemos, já vivemos. Está ganho.
Desde criança que adoro fazer anos. Sempre vivi o dia do meu aniversário de uma forma muito especial. Da mesma forma, tenho feito muita questão de proporcionar aos meus filhos dias igualmente especiais, em que cada um deles se sinta o único – quem tem vários filhos saberá bem do que falo, da dificuldade de fazer alguém sentir-se único no seio de uma família grande, principalmente quando se trabalha fora. Às vezes não conseguimos tão bem, suponho, mas a tentativa também conta.
Hoje é um desses dias. A Verinha faz cinco anos e vai ter um dia especial, pensado só para ela. Está feliz como só uma criança feliz consegue estar – absoluta e completamente.
E eu estou feliz por poder proporcionar-lhe isso.
Parabéns filha!
E parabéns Teresinha e Vasquinho, por todos os aniversários que passaram antes de eu ter facebook.
Parabéns para ti, Filipe – o melhor Pai que qualquer criança poderia desejar, o marido que todos os homens deviam ser.
Adoro-vos, família, desde a alma até ao infinito.
segunda-feira, outubro 12, 2009
Ele há coisas...
Esta queda para o exagero é um tudo nada limitativa para mim e imensamente exasperante para quem me rodeia, mas admitamos – às vezes é útil.
Tudo o que decido fazer faço como se disso dependesse a continuação da vida humana no planeta– se estou a ler um livro que me agrada não falo com ninguém, não vejo televisão, chego mesmo a recusar convites - só páro quando chego ao fim. Se me disponho a arrumar um roupeiro não como nem cozinho para ninguém enquanto não voltar a colocar tudo no sítio. Se decido fazer tricot, começo duas ou três peças e fico como um robot até as acabar a todas.
Foi o que me aconteceu recentemente. Só que, deve ser do caruncho, de tanto tricotar, de tanto a lã roçar no meu delicado pescoço, arranjei uma alergia que me ia enlouquecendo. Andei assim uns quatro ou cinco dias, queixosa e entristecida por não poder tricotar a meu bel prazer. Ao cabo deste tempo as borbulhas do pescoço começaram a alastrar pela cabeça toda quase fazendo com que aqui a Martinha, perdesse o juízo.
Na sexta feira foi o aniversário do meu Pai e, apesar do incómodo lá me arrastei para a celebração. Foi uma daquelas reuniões magnas em que nos amontoámos todos: os sete filhos, genros, nora, netas e neto e alguns amigos. Tudo muito cheio de abracinhos e carinhos, que há tanto que não estamos assim todos juntos e é tão bom, que saudades, que saudades!
No Sábado passei a tarde com duas amigas e correspondente descendência. Entre um cigarro e uma língua de gato lá me viram a borbulhagem e emitiram a sua douta opinião – que devia ser uma alergia
À noite, ainda muito incomodada, com o pescoço todo assanhado e a cabeça com o aspecto de ter sido atacada por um enxame de abelhas raínhas com problemas hormonais, lá fui, qual esposa extremosa e dedicada, acompanhar o meu marido a um concerto de música clássica. Posso dizer, sem receio de exagerar, que fui para a Gulbenkian com a mesma vontade com que os meus filhos comem esparregado, e com a mesma cara,. Só que eu não cuspo.
De volta a casa encontramos a baby sitter enfiada na casa de banho com a Teresa. A primeira coisa que me veio à cabeça foi que ela tinha vomitado, mas a Mafalda esclareceu-me imediatamente: a Teresinha estava carregadinha de piolhos, coitadinha.
Dado o avançado da hora, já nada podia fazer, assim meti-a na cama e acordei no Domingo quase de madrugada, para ir à farmácia comprar o desparasitante – que nojo!
Aqui posso acrescentar que nunca um cabrão de um piolho tinha tido a ousadia de transpôr as portas da minha casa e eu vivia radiante e (confesso) um nadinha orgulhosa com isso – como se quem tem piolhos fossem só os porcos, mesmo sabendo que o piolhame até se dá melhor em cabeças lavadinhas.
Arranquei de casa a toda a brida, rumo à Farmácia das Fontaínhas onde entrei afogueada. O Filipe diz que eu sou um bocado histérica, eu reconheço. E falo alto e sou “espaçosa”. E pedi à senhora depressa, depressa, asinha, asinha, cinco embalagens de Nix. Quando ela voltou lembrei-me de lhe mostrar o meu pescoço, para que me indicasse um anti-prurido qualquer.
A farmacêutica olhou, olhou, e depois disse-me no mesmo tom em que me tinha ouvido:
- A senhora tem é piolhos, ponha o Nix também.
E assim se passa uma vergonha memorável.
quarta-feira, outubro 07, 2009
Para contar uma tenho de contar outra antes.
Ao que parece, nos anos de juventude, ele e uns “colegas” foram passar uns dias ao Norte e alugaram uma casinha a uma velhota. Quando lá chegaram e a senhora constatou que afinal os marmanjos eram bem mais do que o combinado e achou por bem pedir uns cobres extra aos rapazes.
Eles é que não acharam piada nenhuma ao atrevimento da senhora. Pois se estavam lisos e até tinham arranjado mais uns amigalhaços para aliviar a despesa, que sentido fazia esse disparate? Portanto, fizeram-lhe um manguito e mandaram-na passear. A senhora, nortenha e zangada derivado à afronta dos fedelhos, toca de lhes berrar aos ouvidos, num português cristalino como água de nascente - passo a citar – “Ide-vos foder, seus coninhas!”.
Reparem bem na sofisticação, na subtileza quase poética, na complexidade técnica do imperativo plural colocado na segunda pessoa, com o intuito de reforçar o sentido da ordem ao aumentar a distância imaginária entre emissor e receptor...
Não sei se foi do vinho do jantar (que naquela casa se bebe bem, bebe), se o que foi, mas adorei a história e, logo no momento decidi incluír a expressão no meu vastíssimo léxico. É claro que o decoro me impede de andar por aí a lançar petardos deste gabarito, pelo que tenho passado este último ano e meio a soltar inocentes “ide-vos”, a torto e a direito – motivo de risota constante, primeiro quando eu explicava o significado da expressão, depois porque já muita gente a conhece e acabou por se transformar numa espécie de private joke.
Só que às vezes, no meio destas brincadeiritas pueris, nós olvidamos pequenos detalhes, tais como a existência dos nossos amantíssimos descendentes e sua consequente e muito contemporânea omnipresença nas horas em que estamos assim mais por casa.
Esse detalhe teve como resultado que, no passado Domingo, quando eu disse aos meus piquenos que ia dar o Ídolos, o Vasquinho ficou muito contente – demasiado contente – com o título do programa. Que era muito giro, muito engraçado e ria, ria. E eu, nada, incrédula a avaliar-lhe o estado da psique, uma pontinha de febre, talvez.
De súbito, encarou-me com os olhos espantados, aqueles que ele põe sempre que a dúvida o toma de assalto, e acrescentou – É ide-vos para onde, mãe?
sexta-feira, outubro 02, 2009
Faz agora três anos...
Igual a si próprio, não se preocupou mínimamente com as susceptibilidades que tal decisão poderia ferir - apenas resolveu fazer assim. E quem não fosse convidado é porque não estava incluído no rol dos Eleitos, logo, se ficasse aborrecido, que metesse uma rolha.
Quando tivemos de decidir que presente oferecer, nós, os filhos mais velhos, demos voltas e voltas às nossas quase todas loiras cabecinhas. É que o senhor trata de adquirir rigorosamente tudo aquilo que quer, no preciso momento em que o desejo se manifesta. Isso é óptimo para ele, que vive contente, mas dificulta sobremaneira a vida ao resto da população.
Após aturado brainstorming concluímos que, se ele fazia questão de carregar de simbolismo o momento da sua passagem a sexagenário, então seria esse o nosso caminho: fazer um DVD com fotografias, para projectar depois da ceia.
Felizmente, a nossa mãe é uma pessoa extraordinária, pois compilou os momentos mais marcantes da vida dos quatro filhos em albuns ordenados cronológicamente, que foi oferecendo a cada um à medida que voávamos para fora do ninho. Ainda por cima, mesmo estando eles divorciados há quase vinte anos, a senhora conservou todos os albuns relativos aos anos de casamento. E como o nosso Pai casou segunda vez, já tem carradas de fotos dos anos mais recentes.
Resumindo, entrámos em pânico. Eram milhares e milhares de fotografias para seleccionar e o tempo, para não variar, muito escasso.
Passamos rapidamente à definição de critérios: apesar de não parecer nada, o Dr. é um piegas e chora com relativa facilidade. Por isso mesmo, o que nós pretendíamos era obter um momento simbólico, mas que não fosse deprimente nem constrangedor para ninguém.
Vai daí, decidimos reduzir ao mínimo indispensável as fotos onde aparecesse a nossa mãe e aquelas onde estivessem pessoas já falecidas – como o Avô e a Tia Teresa.
Primeira triagem feita e continuavam a ser centenas.
Passamos ao segundo critério: só seriam seleccionadas fotos onde ele estivesse presente e, quanto mais caricata, ridicula e divertida fosse a foto, melhor. Afinal trata-se de um homem que adora divertir-se e estar rodeado de pessoas animadas, pelo que essa tarefa foi a mais simples para nós.
Triagem concluída, passamos à digitalização – ah, como os nossos filhos terão a vida facilitada!
Já que não tinha participado muito nessa fase, ofereci-me para, com a mana mais velha, produzir efectivamente, o dito DVD.
Na antevéspera da festa fomos para minha casa e estivemos entre as 21H e as 05 da manhã, as duas sentadas à frente de um computador a tirar, pôr, acrescentar, cortar, alterar, juntar e ampliar fotografias. No final, já meio vesgas, lembrámos-nos que ainda tínhamos de escolher uma música. O voto foi unânime: tinha de ser o My Way.
Quem conheça o meu Pai saberá que digo a verdade – foi para ele e não para Frank Sinatra, que Paul Anka escreveu aquela letra. Sem sombra de dúvidas.
Pesquisa feita, lá gamámos a versão da net.
Ainda hoje, quando me lembro dessa madrugada, me comovo. Tenho a impressão que terá sido o maior pranto que partilhei com alguém na minha vida. O DVD estava suave, romântico, uma retrospectiva muito positiva de uma vida que foi, e felizmente ainda é, uma vida cheia. Absolutamente perfeito.
Portanto – lixo.
Era tudo o que nós não queríamos. Intensidade dramática aos pontapés, emoções à flor da pele. Quase uma despedida.
Pior – se nós as duas completamente sóbrias, tínhamos ficado naquele pranto, imagine-se a reacção do grupo depois de um jantar bem ensopado, como acontece nestas alturas. Fora de questão.
Mais uma hora e acabamos por escolher o “Simply the Best” da Tina Turner. Coadunava-se bem com a ideia que o meu Pai tem de si próprio – um ego maior que Júpiter - e era uma música animada, que até dava para dançar. Nada de lamechices nem choradeiras. Festas querem-se alegres, não é?
Então deviam ter visto o resultado.
Nem quero imaginar se tivesse ficado o My Way.
quarta-feira, setembro 30, 2009
Coisas de gaja
Na realidade, estou numa fase maravilhosa da minha existência enquanto profissional da maternidade. As minhas crianças já estão bastante crescidas, o que quer dizer que começam a dispôr de alguma... (deixem-me cá saborear esta palavra linda) au-to-no-mi-a.
Apenas quem já passou por isto poderá compreender uma mãe que se encontre no estado em que eu estou – o puro deleite, o prazer sublime, o absoluto êxtase que se apodera da pessoa no dia em que deixa de fazer tudo para começar a mandar fazer algumas coisas.
Neste momento amo algumas frases, que me soam a música tocada por anjos quando se soltam da minha exausta faringe e, mais maravilhoso de tudo, sem eu me mexer.
Na realidade, é mesmo possível dar-se ordens em todos os tipos de frase da nossa língua. Temos o clássico imperativo parental: vão lavar os dentes e o seu negativo: não sais de casa vestida assim, mas podemos sempre utilizar um agradável interrogativo como: já vestiram os pijamas? ou mesmo um sonso exclamativo do género: que linda, já sabe limpar o rabinho!
Haverá poesia mais bela?
Haverá momento mais formidável na vida de uma mãe que aquele em que ela, terminando a esmerada refeição acabadinha de confeccionar pelo marido, senta-se no sofá novo do IKEA e solta displicentemente: quando acabarem ponham a loiça na máquina, e eles põem mesmo?
Isto já para não falar no jeito que dá. Nestes dias tenho posto em prática algumas regras de responsabilização dos mais velhos, do género irem ao Polisuper comprar pão enquanto eu fico estacionada em segunda fila ou espreitarem ali na papelaria se a Gramática encomendada já chegou. Coisas simples que além de os ajudarem a exprimir-se e a orientar-se, ainda os obrigam a conferir os trocos. Um jeitão, mesmo.
Bom, lá estou eu, mas a certa altura a coleguinha dobrou-se para retirar o petiz no carrinho afim de proceder à amamentação do mesmo, deixando ao apreço de todos os embasbacados presentes os extraordinários atributos com que se encontra dotada nesta fase da sua vida.
E aí é que eu percebi o sentimento que me tinha toldado a razão minutos antes. Era saudade sim, mas de me fazer acompanhar por um decote daqueles.
terça-feira, setembro 29, 2009
Para mim ser fashion victim é isto:
O que eu quero dizer é apenas isto - se pespegássemos na montra da Louis Vuitton dos Champs Elysées, uma saca de batatas nojenta, rasgada e fétida, quantos segundos levaria a ser vendida e por quantos milhares de euros?
sexta-feira, setembro 25, 2009
Ora vamos lá sufragar!
Reflectirei agora, pois, e convido-vos a virem comigo.
Resumindo, ao longo destas duas semanas ficámos a saber que:
O sô José
Adora os filhos;
Não gosta de levar tampas;
O Zapatero é o seu novo melhor amigo;
Não “escuta” ninguém, nem escuta ninguém;
Nunca vai às compras ao Freeport.
A Dª Manuela
Não quer a “asfixia democrática”, mas a asfixia do Primeiro - Ministro;
Dá chutos na gramática para não os dar no queixo do Primeiro- Ministro;
Não quer o TGV porque é Trabalho para Gandulos e Vândalos;
Acha que viver na Madeira é que é bom;
Usa sempre o mesmo colar porque gosta dele.
O sô Francisco
Não usa gravata
Não anda de carrrrro (quase nunca)
Não acha rrrridiculo perder tempo a impedir rrrrrrodeos
O sô Paulo
Anda a faltar aos branqueamentos;
Gostava muito que o deixassem brincar à Batalha Naval outra vez;
Finge lindamente que adora peixeiras, ciganas e que a pele dele é mesmo daquela cor.
O sô Jerónimo
Está um bocadinho mais gordo;
É muito espontâneo desde que prepare o que vai dizer;
Adora os netos.
Portanto, isto foi o que aprendi durante a campanha, agora, ouvi dizer que há um tal de Programa Eleitoral, mas eu é que não sei em que canal dá, ainda não consegui apanhar nenhum.
Se o virem avisam-me?
Obrigadinha.
quinta-feira, setembro 24, 2009
Eu gosto é do Verão...
Gosto de acordar de manhã e vestir apenas três peças de roupa, de não ter de secar o cabelo às crianças, de ter um chão em casa em vez de um lamaçal, de apanhar menos trânsito de manhã, do tom da minha pele bronzeada, de jantar na varanda com o meu maridão, de andar de bicicleta, de não ter o carro cheio de casacos. E gosto da luz que o sol dá aos olhos dos meu filhos.
Mas confesso que nesta altura já me apetece um acentuado arrefecimento da temperatura do ar.
Tenho saudades das tardes chuvosas e espapaçadas passadas em família, a tentar ver o Notting Hill só com um olho aberto, depois de termos ingerido dois quilos de scones com manteiga e compota.
Não é que no Verão não se possa fazer isso, mas é um desperdício tão grande, que acabamos sempre por dar com os costados na praia, na piscina ou noutro sitio qualquer que tenha ar livre.
Só quando está frio é que podemos, sem dores de consciência, perder tempo. O nosso tempo precioso de fim de semana de cidadãos trabalhadores.
E eu tenho saudades disso.
Ou então esotu com esta conversa porque comprei umas botas espantosamente maravilhosas e quero calçá-las AMANHÃ!
terça-feira, setembro 22, 2009
O Porquê das coisas
Nessa altura li todas as colecções que havia no quarto do meu irmão, desde Os Cinco ao Colégio das Quatro Torres, passando pela Patrícia, pela Carlota, pelos Sete e pelas Gémeas no Colégio de Santa Clara.
Mas isto foi depois de a minha mãe perceber que eu andava a saciar o meu aborrecimento nas prateleiras dos seus aposentos, com umas tentativas pueris de compreender um qualquer Sexus que andava por ali, entre outras maravilhas da literatura pós lápis azul.
Todavia, a melhor obra que me foi dada a ler nessa época foi um livro que ofereceram ao meu irmão e que fez as minhas delícias durante uns dias - li-o de uma assentada - chamava-se: O Porquê das Coisas.
Tanto que eu aprendi naquelas páginas: porque deitam os cães a língua de fora? Porque é o céu azul? Porque é impossível espirrar sem fechar os olhos?
Ainda se vende, imagine-se! Mas agora deve ter perguntas mais do género: porque faz o computador shut down quando retiramos a memória RAM do disco? Porque bloqueia o processador se repetirmos não sei o quê que está errado e é estúpido?
Bem, lá estou eu.
Isto tudo para chegar aqui - sou curiosa, interesso-me por tudo, pelas pessoas, e há umas coisinhas que se passam neste mundo que eu pura e simplesmente não consigo perceber.
Portanto, faz-me falta um livro dos Porquês mas para crescidos, que tenha lá, assim de repente, duas respostazinhas:
- Porque correm as pessoas para as filas?
Esta é a primeira porque é, de todas, a que me faz mais confusão. Quem já esteve numa sala de embarque sabe de que falo: hordas de gente a correr, atropelar-se, a acotovelar-se para a porta de embarque, para se prostrarem um minuto depois, ordeiros e pacientes, verticalíssimos, de bagagem de mão em riste, numa fila que anda mais devagar que o cérebro do Recruta Zero. E com que objectivo? O de ficarem mais tempo dentro do avião, mesmo sabendo que, para ele levantar os passageiros têm de entrar todos primeiro - aquilo não é como os carros, em que se pode arrancar com a porta mal fechada.
- Porque rapinam as pessoas tudo o que vêem?
Nauticampo, Fevereiro de 1983 - uma família de seis pessoas atravessa a feira com estrépito: cada adulto arrasta iradamente um par de crianças, que arrastam por sua vez, atrás de si, sacas e sacadas de canetas, pins, porta-chaves e autocolantes (ah, esses maravilhosos autocolantes...), que tencionam levar para casa e com eles forrar todas as paredes, janelas e portas que se atravessarem no caminho.
Mas isto foi há muito tempo, na época em que não havia coisas diferentes, importadas, estrangeiras. Havia apenas autocolantes oferecidos nas feiras e que as crianças saqueavam. O que me espanta é essas crianças, que são os adultos de hoje e andam no trânsito a buzinar e a dizer palavrões, continuarem a ter esse tipo de comportamentos. E os filhos deles a repeti-los.
Malta, não é preciso andarem ao estalo por balões no Jardim Zoológico, por pacotinhos de Ice tea oferecidos em Belém ou por folhetos mal impressos atirados de um avião na praia de Santa Cruz! E podem devolver ao senhor Armindo da padaria o troco enganado e não precisam de aceitar o Bocadellia que as meninas andam a oferecer mas ninguém lá em casa gosta, ouviram?
Irra!
sexta-feira, setembro 18, 2009
Ora dá cá um...
A questão filosófica era, a beijoca - havia quem defendesse que as crianças devem sempre cumprimentar toda a gente de beijinho, eu dizia redondamente que não.
O argumento pro-beijo era que se trata apenas de uma questão de educação - quem não beija é mal educado. Pronto.
Mas isso não é assim. A coisa não é tão simples como pode parecer - o problema alcança uma distância bem mais profunda. Pode até levar à ruina de uma família. Bom, vá, talvez nem tanto, mas pode deixar marcas.
Vejamos:
Beijar é um acto universal de demonstração de afecto, certo? Em algumas sociedades catar os piolhos também o é e não é por isso que andamos por aí a espiolhar-nos uns aos outros - por acaso até há quem ande, mas pronto.
E devemos ensiná-los a demontrar esse afecto por qualquer pessoa? Devemos ensinar os nossos meninos a pular para o colo da ministra da Educação que foi à escola inaugurar a cantina, do senhor Joaquim da mercearia, da senhora da carrinha que vai buscar o recente colega de natação, do namorado da irmã mais velha do primo da melhor amiga, e beijá-los profusamente?
Bem me parecia.
Agora, se passamos os primeiros dez anos da vida deles a obrigá-los a beijar tudo o que mexe, poderemos surpreender-nos quando se tornarem beijadores compulsivos? Como reagiremos quando a filha da nossa amiga for conhecida por Marrona, a amiga dela por Ferrinhos, a outra por Batoque e a sobrinha da vossa irmã, de repente passar a ser a Beijona? Como impedir o nascimento prematuro de uma daquelas reputações capazes de a preceder por uma adolescência inteira e ainda parte da idade adulta? Haja coerência!
Só para cimentar esta ideia, vamos lá debruçar-nos sobre alguns conceitos:
Cumprimento:
Acto de cumprir.
2. Execução; observância.
3. Acto!Ato de cumprimentar; saudação; vénia.
4. Cerimónia.
dar cumprimento: executar, cumprir.
por cumprimento: por cerimónia (mas sem vontade).
Esta defenição foi retirada ipsis verbis do Dicionário de Lingua Portuguesa da Porto Editora. E que eu veja não diz em lado nenhum que das definições de cumprimento façam parte os actos de: beijar; beijocar; afinfar beijocas fôfas em bochechas gordas e sapudas de velhotas enjoativas; sugar pequenos pedaços àsperos das faces suadas de cavalheiros com halitose; encostar a boca a uma superficie e emitir um som ridiculo parecido com o que o desentupidor de canos faz no lavatório.
Aqui fala-se em vénia, por exemplo. O acto de cumprimentar com cerimónia, guardando uma certa distância. Uma coisa muito mais elegante, civilizada e higiénica que poderá até preservar os nossos meninos de gripes, constipações e isso. Assim sim. Como eu gostaria de ver os meus esterilizados meninos a fazerem vénias a torto e a direito, tão arrumadinhos e primorosos.
Deixemos de sonhar. Temos outro conceito:
Beijo:
s. m.
1. Acção de beijar.
2. Toque de lábios em pessoa ou coisa.
3. Ósculo.
beijo de Judas: beijo traiçoeiro.
beijo de paz: o que se dá em sinal de reconciliação.
Cá está - Onde é que diz aqui - cumprimento; forma de cumprimentar outrém?
Exacto. Não diz.
Aliás, fala-se aqui de beijo traiçoeiro e de beijo de paz. Eu é que não estou a ver nenhum destes como motivo para fazer os nossos pequenos principes andarem a esbeijocar o mundo inteiro. traíram alguém? Não. Têm de pedir perdão por terem nascido? Também não.
Nem sequer nos estou a ver, mães e pais extremosos, a enfiar o Zovirax na lancheira do almoço dos nossos petizes, logo ali ao lado do Clearasil e da sande de Nutella.
Ah, podem vir ainda perguntar então como é que se cumprimenta alguém de quem não se gosta ou que não se conhece?
Simples. Se ensinamos os nossos filhos a serem sinceros, fontais e a não dizerem mentiras, é nosso dever, nossa obrigação, estimular essas qualidades - por isso não devem, pura e simplesmente cumprimentar pessoas de quem não gostam. E já que os ensinamos a nunca, jamais em tempo algum, falarem com desconhecidos, então, em nome da lógica e da coerência, também não devem cumprimentar aqueles que não conhecem.
Assunto arrumado.
Pronto, tudo bem, uma pancadinha nas costas, um passou bem, vá. Mas depois desinfectam as mãozinhas, sim?
Já agora, essa de catar os piolhos, podíamos instituir, não?
segunda-feira, setembro 14, 2009
"Como ir comer um gelado ao Santini e pagar quatro mil euros?" 11 pequenos passos.
2 - Arranja-se uma festa para ir e discute-se acaloradamente com o marido antes de sair.
Isso levará a que tenham de se deslocar em dois carros até à casa da avó que vai ficar a tomar conta dos petizes, o que levará de seguida, se forem nanomicromedianamente civilizados, a que um dos carritos fique lá para chegarem juntos à festa e parecerem lindamente.
3 - Regam bem o jantar com vinho branco e caipiroskas. Tão bem, que se vejam obrigados a deixar o carro em que se transportaram para a festa no local onde estava (mal) estacionado. Seguem para outro local de vosso agrado, daí para outro e desse para outros tantos. Os que aguentarem.
4 - Chegam a casa de madrugada, transportados caridosa e pachorrentamente por um taxista surdo-mudo. E cego, já agora.
5 - Acordam daí a três horas, bebem catorze copos de água, seis latas de Coca-Cola, comem um pão alentejano inteiro, engolem uma caixa de aspirinas, abrem a porta e reparam que não está lá nenhum dos carros. Antes disso convém que tomem um duche e areiem as gengivas com um esfregão Bravo.
6 - Decidem que a melhor maneira de resolver o problema é irem até à casa da avó de bicicleta - uns sete quilómetros atravessados por ruídos capazes de ensurdecer uma parede de betão, emissões de Co2 que fazem Banguecoque parecer o Jardim do Éden e loucos esgazeados ainda sob o efeito de noites piores que a vossa.
7 - Em casa da avó, recolhem os petizes e decidem que, em vez de irem dormir, o que precisam mesmo mesmo, é de comer um Santini.
Atenção: este é o passo mais importante.
8 - Afinfam com as bicicletas em cima do carro e arrancam para o vosso destino a toda a brida.
9 - Finalmente, mergulham na entrada do parque de estacionamento subterrâneo sem retirar as bicicletas de cima do carro.
10 - Assim que se refizerem da enxaqueca causada pelo abalo, perdem quarenta minutos a apanhar os bocados de chapa, de bicicleta e de dignidade que estão espalhados por todo o primeiro piso do parque.
11 - Vão alegremente com os petizes comer o geladinho.
Simples, não?
terça-feira, setembro 08, 2009
Visita às modas passadas, sem nostalgia nenhuma.
Mas gosto de ter memória e de poder recordar. São esses pequenos nadas que nos dão perspectiva e nos ajudam a compreender que evoluímos. Ou não.
Isto tudo porquê? Porque hoje tive uma conversa muito engraçada com algumas amigas - umas da minha idade outras ligeiramente mais velhas, mas ainda raparigas, claro. Umas miúdas - afinal o que são vinte anos para a humanidade?
Foi uma conversa em que recordámos.
Recordámos a moda da nossa juventude.
Começámos por falar de enchumaços, esses volumosos adereços dignos de qualquer selecção de futebol americano, recheio absolutamente fundamental de qualquer parte de cima vestível por nós. Entre outras peças de museu, ainda guardo um casaco amarelo canário, extraordinário, com os maiores aumentadores de ombros do mundo. Que adorava. Sim, quem nunca usou que se atreva a gozar.
Rimos das franjas que adornaram a certa altura as nossas modernérrimas camisas de ganga com omoplatas forradas a tecidos floridos e os casacos de camurça foleira e mal curtida.
E, Cristo, quem pode esquecer as galochas de salto alto, que se podiam usar de cano dobrado ou direito e faziam transpirar os pés até ao joelho? Pés esses calçados com a inevitável meia de losango, em lã quentinha e bastante cheirosa ao fim do dia.
E os Sanjo? Quem nunca sonhou com uns?
Lembrámos os Porfírios, loja icon de moda lisboeta, que comercializava os lenços mais emblemáticos das betas da linha. E a Migacho, loja da qual lá aparecia uma toillette nova em casa uma vez por ano mas que tinha uma proprietária capaz de dar lições de marketing a qualquer Kotler pois tratava toda a gente pelo nome - incluíndo os filhos.
E ainda rimos mais das poupas que seguravam bandoletes de veludo que arrepelavam e faziam dores de cabeça. E das molas com flores encarnadas ou rosa eléctrico, pespegadas no alto de cabeleiras longas e não raras vezes espigadas até à raiz.
E das camisolas de losangos verde "rã", amarelo "canário", azul "arara" e laranja "peixe de aquário".
E dos vestidos em tafetá de cores berrantes com enormes laços ruidosos, mangas em balão que nos chegavam às bochechas e saias rodadas que nos assavam os cotovelos.
E das Lois justíssimas, lançadas pela malta do break dance, que não passavam nos pés e só se conseguiam vestir se estivéssemos deitadas - e eles também (mas não ao mesmo tempo). Sim, eles também usavam calças dessas. E meia branca. E sapato de berloque. E camisolas com grandes carapuços e mangas até ao chão.
E das camisas clandestinamente surripiadas ao mano mais velho, pois tinham mesmo de ser dezoito tamanhos acima para ficarem o máximo com as mini saias dezoito tamanhos abaixo.
Quem não se lembra?
É verdade, não sou saudosista e até tenho para mim que temos ganho bastante em aspecto nos últimos anos, mas no final de tudo isto há apenas uma coisa que me deprime um tudo nada - é que algumas destas pérolas da moda, já andam aí outra vez. E isso é que nos dá a tal perspectiva - a de que o tempo passa mesmo.
quinta-feira, setembro 03, 2009
Verão Azul
Mas hoje a minha filha mais velha comunicou-me, com um gáudio completamente despropositado, uma vez que não faz a mínima ideia do que se trata, que o Verão Azul ia voltar a dar na televisão.
Comecei por lhe explicar no meu tom mais maternal e condescendente que não, que ela estava a confundir, deveria ser outra coisa qualquer, mas depois, uma amiga dela que estava presente, corroborou, também muito excitada - ainda não percebi se é verdade ou se estavam a falar dos DVD da Planeta Agostini.
E depois perguntaram-me as duas: o que é o Verão Azul?
Cristo, como é que se explica a duas crianças de dez anos o que foi o Verão Azul?
Haveria tanto para dizer antes...
Mas como é que se explica a duas crianças que vivem no dilema de escolher um de entre mais de duzentos canais de televisão e que têm telemóvel e computador portátil com ligação à Internet, que nós passámos a nossa infância apenas com dois canais à escolha e que tudo o que víamos era a cinza e sépia?
Como é que se explica a duas crianças de dez anos que fazem férias no estrangeiro e passam a vida em programas com os amigos, em shoppings com doze salas de cinema ou num dos milhares de Mac Donald's que há por todo o lado, que nós passávamos os fins de semana em casa, muitas vezes com os avós, e que não tínhamos muito mais que fazer que não fosse batota ao Monopólio, andar de biciclata, bater nos irmãos ou ver os programas de BD eslovaca do Vasco Granja. Ou, quanto muito, o Dallas?
O Verão Azul não foi apenas uma série, foi A série. A primeiríssima série juvenil jamais transmitida em Portugal. Feita para nós. Só para nós. E a cores. Uma série com protagonistas de carne e osso (e não de plasticina), com problemas infanto-adolescentes iguaizinhos aos nossos, que passavam férias na praia exactamente como nós, que andavam em bicicletas velhas como as nossas, só que, em vez de terem os pais em cima o tempo todo, tinham dois velhotes amorosos e super compreensivos que nunca levantavam a voz nem os castigavam, mesmo quando eles passavam um episódio inteiro a fazer asneiras.
Lembro-me tão bem de corrermos todos para a pequena Grundig da sala assim que escutávamos os primeiros acordes da inconfundível música do genérico, que eu morria de desgosto por não conseguir assobiar...
Eu era a Bea.
Recordo como se fosse ontem uma cena em que ela, triste com um qualquer drama da sua recém adolescência, de sandálias na mão, passeava nostálgica à beira-mar. Sozinha. E de como eu passei a sonhar viver suficientemente perto da praia para poder fazer uma coisa assim - sair de casa e ir chorar dramáticamente descalça num areal deserto, de olhos em alvo na direcção de um oceano calmo e transparente, para, no final ele aparecer, aquele por quem eu chorava - que devido a um muito conveniente episódio telepático, me tinha encontrado - e acabava por abraçar com amor.
(É que a minha realidade era um tudo nada diferente: além de sermos uma família relativamente numerosa, o que impossibilitava por completo qualquer sonho de solidão, vivíamos a quilómetros da praia, sendo que a mais próxima era o Guincho, if you know what I mean...).
Enfim, era isto o Verão Azul. E não há forma de o explicar à minha filha. Só espero que um dia ela tenha o seu para tentar explicar aos meus netos. Seria muito bom para ela.
segunda-feira, agosto 31, 2009
E a vida continua
Acho que já estamos todos mais habituados uns aos outros, mas ainda temos um longo caminho pela frente.
No sábado passado levámo-lo às vacinas. Foi a primeira vez que viu uma trela e passou-se. Parecia um louco, a saltar e espernear que nem um touro de rodeo americano.
Aqui é altura de abrir um parêntesis:
O único cão que tive na minha vida - até este - nem estou certa de que possa ser classificado de cão. Para já era uma cadela, depois era caniche toy, uma coisinha minuscula e perturbada dos neurónios, com excesso de hormonas e que sofria de complexo de Pit Bull.
Mas uma vez que a boca da cadela não era maior que o gargalo de uma mini, ninguém se ralava muito com os acessos da pequena. Até porque tínhamos alguma condescendência pelo facto de ela ter ficado virgem - toda a gente sabe que isso dá cabo dos nervos.
Acontece que este caso é diferente. Aqui estamos a falar de um cão que a médio prazo acabará por se transformar num burro ( ou numa vaca, como diz a Vera), de peso algures entre os 50 e os 60 quilos. O mesmo que eu, portanto. Animal assim não deverá habituar-se a manifestações singelas de carinho e alegria como saltar em cima das pessoas, abocanhar durante as brincadeiras ou desatar a correr mal saia de casa.
Vai daí, decidi treinar o cão.
Comecei por procurar na Internet treinadores profissionais. Depois percebi que essa não seria uma boa aposta, pois o que acabaria por acontecer seria ele obedecer ao treinador e não a nós. A solução teria de passar por um treino caseiro. Ministrado por mim.
Inscrevi-me num site, onde enviam dicas de adestramento (brasileiro, claro está) por email. Inscrevi-me num outro onde uma senhora explica passo a passo como treinar o cachorro de grande porte com "treino de reforço positivo". Isto, adaptado aos cães deve ser uma teoria daquelas que sugere aos pais não contrariarem as crianças, não gritarem com elas e deixarem-nas crescer como cavalos selvagens num apartamento. Ainda assim pareceu-me bem não basear o treino em gritos e jornaladas.
Li tudo o que havia para ler e passei à fase da implementação.
O primeiro treino foi, portanto, incluído na ida ao veterinário para levar a vacina. A colocação da trela.
Uma das coisas que aprendi sobre os cães é que eles só querem que os donos gostem deles, por isso gostam de nos fazer felizes. Assim, uma das técnicas do reforço positivo é, quando o cachorro faz uma coisa que o dono não aprova, este deve manter-se firme e ignorá-lo, para ele perceber que o dono não está feliz. Voltar-se de costas, olhar para o céu... enfim.
Então, coloquei a trela e instantâneamente ele começou naquela maluqueira. Ora eu, bem instruída que estava, mantive-me firme e de costas enquanto ele puxava e repuxava. Até que senti um alívio repentino na pressão da trela. Pois voltei-me e lá estava o belo do Migas, que de tanto puxar, conseguiu alargar a coleira até ela lhe sair pela cabeça e estava a roer aquilo tudo. Reforço positivo uma merda. Zanguei-me com ele, o Filipe pegou nele ao colo e meteu-o no carro.
Na viagem portou-se lindamente. Calminho até. Nós todos felizes porque fizemos uma viagem de carro em que ele se absteve de nos brindar com dejectos de qualquer espécie. Os miúdos calmos. Uma alegria.
No vaterinário também correu tudo lindamente. A médica virou-o do avesso e até conseguiu ver-lhe a temperatura enfiando-lhe um termómetro pelo rabo.
No fim, achei que ele se tinha portado tão bem que merecia um prémio. Parti um biscoito dos dele em seis e dei-lhe um pedacinho de meio centímetro. O Filipe ficou doido. Dizia-me que eu não podia fazer aquilo, que os cães funcionam no entra e sai automático, que ele ia sujar o carro todo outra vez. Eu desvalorizei, era apenas um mini pedacito.
Saímos da clínica. Arrancámos. Percorremos uns dois quilómetros e pronto, mais um monte de bosta espalhado pela mala do carro. Mais uma viagem de janelas abertas e crianças aos berros. Mais uma discussão em que eu defendia que não tinha sido do biscoito, mas do termómetro no rabo, como se faz aos bebés quando estão presos.
Mais uma vez, chegados ao destino, tive de limpar aquela merda toda ( e de novo literalmente).
domingo, agosto 23, 2009
Já temos cão!
Não sei se foi um mosquito que nos mordeu, se o que foi, mas depois de termos três filhos e de já termos passado por tudo o que isso implica, como a mais nova já tem quase cinco anos e já é autónoma como se tivesse dezassete, como agora íamos poder ter um bocadinho de paz, decidimos que o que os nossos meninos precisavam mesmo não era de férias na neve, nem nas Ilhas Maurícias. Era de um cão. Afinal quem é que quer andar de avião nesta altura, não é?
Mas podíamos ter escolhido um de raça maneirinha, de porte médio, sei lá. Só que, como temos espaço, decidimos que um cão grande é que era. Grande não, gigante.
Fomos buscá-lo a uma terriola algures perto de Monforte, quase em Espanha. Desde que o tínhamos visto, em Junho, acabado de nascer, cresceu para o dobro. Aumentou o peso para qualquer coisa entre o triplo e o quádruplo. Quando o vimos, os miúdos entraram em pânico, nós e o bicho também.
Levávamos uma caixa amorosa, de cartão, que o reteve dentro do carro exactamente 2 segundos. Foi até pormos o carro a trabalhar. Depois disso descemos ao inferno. E ficámos lá durante mais de duas horas.
Duas horas e tal de viagem sem conseguirmos manter o animal na mala do carro. A rede que separa essa parte do resto não chega bem aos lados e ele conseguiu passar. Durante todo o tempo o Migas - é assim que se chama - saltou em cima de nós, dos bancos, de tudo, coitadinho. Nervoso.
A Vera teve um chilique e (até devia ter vergonha de dizer isto) veio o caminho quase todo ao meu colo, no banco da frente, a chorar. A dada altura o pobre sucumbiu à nervoseira e foi ali mesmo, no banco de trás: a mais fétida diarreia que já tive o desprazer de inalar.
Foi o caos.
Parados em plena autoestrada, arranquei a t-shirt ao Vasco, o Filipe tirou a dele e vai disto - esfregar aquela merda (literalmente). Não há, felizmente, que eu conheça, palavras que descrevam o cheiro, mas posso dar uma ideia da confusão: os miúdos todos aos berros, o cão histérico, eu e o Filipe aos gritos. Eu confesso que me deixo sugestionar por aqueles mails cheios de estatísitcas desgraçadas e só pensava na quantidade de acidentes que acontecem com carros que estão parados em auto-estradas, o que contribuiu talvez um bocadinho só para aumentar a tensão.
Por fim, lá deitamos fora as duas t-shirts, tirámos os tapetes do chão do carro e cobrimos o assento de trás o melhor que pudemos. E arrancámos outra vez.
Desta feita, cortei uns pedaços de cartão do caixote e fiquei a segurar de um lado, enquanto o Vasco e a Teresa se revesavam, entre gritos e choradeiras, a segurar do outro. O canito lá se manteve no sitio, mas ainda muito agitado.
Já perto de Lisboa, acho que logo depois da Ponte, não estou certa - essas memórias ficaram nebulosas - fomos carinhosamente brindados com segunda dose. Só que desta não tínhamos mais com que limpar, portanto fizemos o resto do caminho com as janelas escancaradas, a 180, com o cão intervaladamente a patinar em cima daquilo e a tentar sair dali.
Lá chegámos a casa. Ao novo lar do cachorrinho. A uma nova vida para todos nós.
E fomos dar-lhe banho. E limpar aquela porcaria toda. E gastar uma autêntica fortuna em redes, estacas, casota, comedouros, ração, escova, brinquedos, coleira, chapinha e o caraças.
Mas é bom para as crianças, não é?
(Se alguém me explicasse porquê é que eu agradecia).
quinta-feira, julho 02, 2009
Direito de resposta by Mano Alex (isto é uma democracia, quando me apetece).
Passava das 10 da noite quando cheguei ontem a casa... Tal como muitos outros idiotas, estive, imaginem só (...) a trabalhar...
Um saltinho rápido ao facebook, coisa rara por falta de tempo para social networking e, para meu espanto, leio um espantoso texto da minha querida irmã, cujos dotes de escritora bem conheço.
É realmente dotada, a mana, para a arte de bem escrever!
Tema das linhas? Apreço e cornos... Uma reflexão de qualidade inquestionável, certamente baseada em experiências terríficas com gajos desumanos, pais ausentes, maridos desleixados, enfim, aquela cambada de decadentes, que a única coisa que sabem fazer na vida, é, imaginem só (...), trabalhar!
É curioso... no meio de tanto e bom texto, não há um elogio, uma palavra de carinho, de simpatia... Por quem??? Bom, logicamente por nós, corja de bandidos que somos nós, os homens, seres familiarmente apáticos, has-beens galadores de mamas, eternos putos de carácter duvidoso, gordos egoístas e mal da tola, batoques entorpecidos a babar cerveja no sofá, infantiloides armados em reis da bola... Mas pasmem-se! Estes cabrões, bando de cínicos irresponsáveis, na opinião das suas queridas mulherezinhas, ainda arranjam tempo e energia, imaginem só (...), exacto! Para porem os cornos às suas mais que tudo! E, a razão para tal acto tresloucado é? Imaginem só (...) Falta de apreço...
Leite Derramado - Chico Buarque
Muito muito bom!
quarta-feira, julho 01, 2009
Curioso...
Mas já estou a divergir. Ontem, dizia eu, fui pôr gasolina e ofereceram-me uma daquelas revistas femininas que só pela capa nos fazem sentir gordas, peludas, chatas e espantosamente frígidas. Enquanto mordiscava uma sandes passei os olhos pelos conteúdos dessa pérola editorial até que encontrei um artigo que me prendeu a atenção: "o que é que leva os homens a traír?"
Fiquei curiosa. Sempre pensei que os homens traíam pelas mesmas razões que as mulheres - porque lhes apetecia. Mas afinal parece que há motivos verdadeiros, cerebrais até, que levam os homens a fazer algumas coisas. E esta hein?
Fui então degustar o dito artigo.
E não é que descobri que o que os leva a traír não é a procura de uma mulher mais jovem, nem mais bonita, nem que pratique melhor sexo, o que leva os homens a traír é, espantem-se, a falta de apreço que as esposas lhes demonstram. Maravilha!
Portanto, estes grandecíssimos cabrões, para não lhes chamar outra coisa pior, casam connosco muito amorosos. Logo depois fazem-nos um par de filhos, que são a luz da nossa vida mas dão-nos cabo do corpinho, obrigam-nos a levantar os ossos da cama sete vezes por noite durante dois anos - em média, por cada filho - arruinando as nossas belas oito horas de sono obrigatórias, enquanto se espalham pelos sofás todos e engordam a olhos vistos. Enquanto isso, nós trabalhamos, levamos as crianças à creche, vamos ao supermercado, pediatra, dentista, ortopedista, oftalmologista e todos os istas que existirem, vamos à farmácia, falamos com as educadoras, tratamos das matrículas, fotografias, documentos e o raio que os parta. Eles coitados, têm de trabalhar. Nós cozinhamos, limpamos, mudamos fraldas, ajudamos nos TPC, gerimos birras, desinfectamos feridas, damos colo. Eles, coitados, têm de trabalhar. Nós fazemos malas, organizamos refeições, damos prémios, aplicamos castigos, marcamos férias, esperamos pelo canalizador, pela TV Cabo, pelo homem do frigorífico. Eles, coitados, já sabemos, não podem.
No meio disto tudo tentamos manter a raíz a menos de meio da cabeça, arranjar pés e mãos de vez em quando, depilar certas zonas com alguma frequência, equilibrar-nos em cima de tacões de 12 cm, dar um salto ao ginásio quando calha e manter-nos arranjadinhas em geral.
Enquanto isso eles trabalham. Uau! E dormem. E babam-se a beber cerveja, a ver a bola e a comparar as mamas das nossas amigas com o que resta das nossas.
E no fim disto tudo, como andam aborrecidos com a vida deles e sentem falta de apreço, afinfam-nos com um parzito de cornos, que é para deixarmos de ser parvas!
E estúpidas.
terça-feira, abril 28, 2009
O 25 de Abril
Ele, 8 anos, assiste à conversa. Quando ela termina ri-se e dispara:
- Burra! O 25 de Abril aconteceu porque o Salazar triturava as pessoas!
:-)